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VERSÕES OPOSTAS

Defesa da família de servidor morto pela Polícia não descarta pedir reprodução simulada do caso

Nickolly Vilela

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A família de Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, servidor da Escola Estadual Liceu Cuiabano morto durante uma intervenção da Polícia Militar no bairro Goiabeiras, em Cuiabá, passou a contestar oficialmente pontos da investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Nesta segunda-feira (18), o advogado da família, Tallis Lara Evangelista, esteve na sede da DHPP para protocolar pedido de acesso aos autos do inquérito. A defesa afirma haver “inconsistências” nos depoimentos prestados pela ex-companheira e pela enteada de Valdivino.

O caso ganhou novos desdobramentos após o delegado Bruno Abreu divulgar que a ex-esposa relatou ter vivido 27 anos de agressões físicas, ameaças de morte, adultérios e comportamento possessivo durante o relacionamento com o servidor.

Segundo o delegado, a mulher afirmou que Valdivino mantinha uma imagem diferente fora de casa. “Ela deixou claro que, no mundo lá fora, ele era uma excelente pessoa, mas as pessoas não imaginavam o que ele fazia dentro de casa”, afirmou Bruno Abreu.

Ainda conforme a investigação, a ex-companheira contou que tentou se separar diversas vezes, mas não conseguia devido ao comportamento ciumento e possessivo do servidor.

Apesar das declarações prestadas à Polícia Civil, a família afirma ter recebido as acusações “com muita estranheza”.

“São quase três décadas de relacionamento sem qualquer episódio conhecido de violência doméstica. Não existe boletim de ocorrência, medida protetiva ou relatos feitos à família e aos amigos”, afirmou o advogado Tallis Lara em entrevista ao Muvuca Popular.

A defesa sustenta que a ausência de registros formais levanta dúvidas sobre os depoimentos apresentados até o momento.

Outro ponto questionado é a versão de que a enteada teria sido induzida a ir até a residência onde ocorreu a ocorrência policial. Segundo o advogado, familiares relataram que a jovem frequentava a casa de Valdivino com regularidade e mantinha uma relação de confiança com ele.

Tallis também revelou que, cerca de um mês antes da morte, teria ocorrido uma situação semelhante envolvendo Valdivino, a enteada e uma arma de fogo. Conforme o relato, a jovem encontrou o padrasto em crise emocional e acionou familiares, que foram até a residência e conseguiram acalmá-lo sem necessidade de intervenção policial.

“A grande pergunta é: se houve uma situação parecida anteriormente, com os mesmos personagens, mas naquela vez ele saiu vivo, por que agora o resultado foi diferente?”, questionou.

A família confirma que Valdivino enfrentava um quadro depressivo e que passava por uma crise no dia da ocorrência. Conforme o advogado, porém, desta vez os familiares teriam sido acionados apenas posteriormente, enquanto a Polícia Militar entrou na residência.

Outro ponto levantado é a existência de uma testemunha considerada importante para o esclarecimento do caso e que ainda não foi ouvida oficialmente pela DHPP. Segundo o advogado, essa pessoa teria sido acionada pela enteada e esteve no local antes da chegada da polícia, chegando inclusive a conversar com Valdivino e com a jovem pela janela da residência.

“Um dos primeiros pedidos será justamente para que essa testemunha seja ouvida. Nosso papel é buscar esclarecimentos e entender todas as circunstâncias do caso”, disse.

Além do acesso integral ao inquérito, a defesa também não descarta pedir uma reprodução simulada da ocorrência, dependendo do andamento das investigações.

“Há uma possibilidade remota, mas não descartamos, desde que o delegado entenda que há conveniência e utilidade para isso”, afirmou.

O caso

Valdivino morreu na noite do dia 11 de maio, após ser baleado por policiais militares durante uma ocorrência de suposto cárcere privado no bairro Goiabeiras.

De acordo com o boletim de ocorrência, equipes da PM foram acionadas após denúncia de que uma mulher estava sendo mantida refém dentro de uma residência.

Os policiais cercaram o imóvel e, segundo a corporação, visualizaram Valdivino apontando uma arma para a cabeça da enteada enquanto ela falava ao telefone.

Ainda conforme a PM, o servidor abriu a porta dos fundos armado, desobedeceu ordens para largar o revólver e teria apontado a arma na direção dos policiais, que efetuaram disparos.

A enteada foi retirada da casa sem ferimentos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas Valdivino morreu no local.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.

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