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EM POCONÉ

Comunidade Quilombola Carretão aguarda desfecho de disputa territorial há 13 anos

Muvuca Popular

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Há mais de 13 anos, moradores da Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé, aguardam uma solução definitiva para um conflito fundiário que envolve a posse de parte do território tradicional ocupado pelos remanescentes. Enquanto o processo segue em tramitação na Justiça, as famílias afirmam enfrentar restrições de acesso a áreas consideradas históricas e denunciam impactos ambientais e episódios de intimidação.

De acordo com lideranças da comunidade, a disputa teve início em 2013, quando dois produtores rurais passaram a ocupar uma área reivindicada pelos quilombolas. Desde então, o caso acumula recursos judiciais e procedimentos administrativos, sem que haja uma definição final sobre a situação da propriedade.

Entre as principais reclamações está a dificuldade de acesso ao antigo cemitério da comunidade, local onde, segundo os moradores, estão sepultados antepassados de até 300 anos. Os remanescentes relatam que o caminho até o espaço teria sido bloqueado, impedindo visitas, homenagens e a manutenção dos túmulos.

A comunidade também aponta possíveis impactos ambientais decorrentes de intervenções realizadas na área em disputa. Segundo os relatos, alterações no curso de uma nascente conhecida historicamente como “Córrego do Nilo” e a abertura de canais de drenagem teriam provocado o desaparecimento de fontes de água utilizadas pelas famílias. As denúncias, no entanto, ainda dependem de apuração e análise técnica por parte dos órgãos ambientais competentes.

Outro aspecto relatado pelos moradores envolve a segurança das famílias. Lideranças afirmam que, ao longo dos últimos anos, diversos boletins de ocorrência foram registrados relatando ameaças e episódios de intimidação. Segundo a comunidade, parte dos moradores deixou o território por receio de novos conflitos. Os fatos citados seguem sob investigação das autoridades.

Os quilombolas também defendem que sejam apurados atos relacionados à documentação da área e aos registros de propriedade. Até o momento, contudo, não há decisão judicial definitiva que reconheça eventual fraude ou irregularidade nos procedimentos questionados.

No início deste mês, representantes do Ministério Público Federal realizaram uma visita técnica à Comunidade Quilombola Carretão para ouvir moradores e levantar informações sobre a situação enfrentada pelas famílias. A expectativa dos remanescentes é que a atuação do órgão contribua para o avanço das medidas necessárias à regularização do território e à garantia dos direitos previstos na Constituição.

Mais de uma década após o início da disputa, o impasse permanece sem solução definitiva. Enquanto aguardam o desfecho do processo, os moradores da Comunidade Quilombola Carretão cobram respostas sobre a regularização da área, o acesso a locais históricos, a preservação ambiental e a garantia de segurança para as famílias que permanecem no território.

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