A década de 1970 representou um momento de ruptura na decoração. Os interiores passaram a incorporar formas orgânicas, cores intensas, materiais naturais e soluções que valorizavam conforto, experimentação e personalidade. Diversos desses elementos da época aparecem reinterpretados nos projetos da CASACOR Mato Grosso 2026.
Comemorando os 25 anos, a mostra reúne 25 ambientes em um imóvel que remete à sua primeira edição: um casarão cuiabano da década de 1970 localizado no bairro Santa Rosa, o mesmo onde tudo começou. O gesto simbólico, após 15 anos do evento sendo realizado em espaços comerciais, visa resgatar a atmosfera intimista que sempre esteve presente na essência da CASACOR.
As referências ao passado já começam pela Fachada Memória Concreta, de Daiane Zaffari. Inspirado na arquitetura modernista dos anos 1970, o ambiente utiliza painéis ripados, vegetação integrada e iluminação proeminente para remeter à estética clássica. Também em outros ambientes do percurso, esses elementos clássicos ganham um olhar contemporâneo, propositalmente ou não, demonstrando como algumas escolhas atravessam o tempo sem perder relevância. Abaixo, reunimos os principais exemplos e inspirações.
Tons terrosos
Poucas paletas representam tão bem os anos 1970 quanto os tons terrosos. Cores como terracota, ferrugem, caramelo, mostarda, marrom e ocre dominavam paredes, estofados, cerâmicas e tapetes, acompanhando um movimento que aproximava os interiores da natureza. A influência do estilo boêmio e do design escandinavo também contribuiu para consolidar essa tendência.
As tonalidades aparece em diversos ambientes da CASACOR Mato Grosso 2026, porém reinterpretadas em versões mais sofisticadas e elegantes. Um dos principais exemplos é o Restaurante Lar, de William Magaiver. O ambiente explora os contrastes entre vermelho, caramelo, roxo e branco criando uma atmosfera cheia de vida e perfeitamente alinhada ao tema Mente e Coração.
Materiais naturais
Durante os anos 1970, madeira aparente, tijolos, pedra natural, couro, palhinha, bambu e rattan ganharam destaque na decoração. O período refletia uma valorização crescente do trabalho artesanal e das matérias-primas em seu estado mais autêntico, em contraste com a industrialização que havia marcado décadas anteriores.
Léo Shehtman está entre os profissionais que melhor representou essa tendência na CASACOR Mato Grosso 2026. O ambiente Living Gourmet utiliza acabamentos simples porém sofisticados – valorizando materiais naturais, como a madeira bruta escura e o mármore, porém interpretados com uma leitura moderna.
Mobiliário curvilíneo
As formas curvas foram uma das principais marcas do mobiliário dos anos 1970. Sofás modulares, poltronas envolventes e mesas de contornos orgânicos refletiam tanto a influência do design italiano quanto a estética futurista da chamada Space Age. Designers como Verner Panton, Pierre Paulin e Joe Colombo ajudaram a popularizar peças que rompiam com a rigidez das linhas retas.
Essa tendência está presente em, praticamente, todos os mobiliários do Espaço Família Entre Nós, de Marcella Porto. O ambiente busca equilibrar racionalidade e sensibilidade em cada escolha, como uma maneira de valorizar os encontros, a presença e a convivência familiar.
Estampa geométrica
Os grafismos também tiveram protagonismo na década de 1970. Círculos concêntricos, losangos, listras, padrões ópticos e composições modulares apareciam em papéis de parede, carpetes, tecidos e revestimentos, traduzindo o espírito experimental do período e a influência da arte pop sobre a decoração.
Hoje, essas estampas costumam surgir de forma mais equilibrada, como mostra a Sala de Leitura Além da Fronteira, de Ivã Guimarães. Um dos pontos centrais do ambiente é o tapete quadriculado, que preserva a força gráfica característica dos anos 1970, porém sem sobrecarregar a composição. Dessa forma, o espaço faz um convite que vai além da leitura, abrindo espaços para boas conversas e momentos de pausa em meio à rotina agitada.
Iluminação marcante
A iluminação passou por uma transformação importante nos anos 1970. As luminárias deixaram de exercer apenas uma função prática e passaram a assumir papel decorativo, com pendentes esculturais, globos opalinos, peças cromadas e modelos inspirados na estética espacial. Materiais como vidro fumê, acrílico colorido e metal reforçavam a identidade visual dos interiores.
Esse conceito é reinterpretado no ambiente Contratempo – Quarto Do Rapaz. O espaço foi concebido pela arquiteta Adriana Martins como um refúgio onde a mente organiza a compreensão do mundo. Nele, as diversas formas de iluminação direta e indireta ganham destaque, se tornando parte importante da decoração.
Serviço – CASACOR Mato Grosso
Quando: de 26 de junho a 30 de agosto de 2026
Horários: de terça a sábado, das 16h às 22h. Domingos e feriados das 11h às 18h.
Onde: Avenida José Rodrigues do Prado, 660 – Bairro Santa Rosa
Ingressos: de R$ 55 (meia) a R$ 110 (inteira)
Bilheteria: online, aplicativo oficial da CASACOR e venda presencial no local
Redes sociais: @casacormt


