ERRARAM NA ESTRATÉGIA
Abilio atribui rejeição da LDO na Câmara a “mau uso da inteligência artificial”
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), atribuiu a rejeição da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 ao que chamou de “mau uso da inteligência artificial”, além de apontar despreparo e falta de assessoria por parte dos vereadores que votaram contra a proposta. Em entrevista nesta terça-feira (21), o prefeito afirmou que os parlamentares cometeram um “erro bobo” ao rejeitar a peça, em vez de apresentar emendas ao texto.
A declaração ocorre uma semana após a Câmara Municipal rejeitar, pela primeira vez na história recente da Capital, a LDO, em meio ao acirramento da disputa pela presidência da Mesa Diretora. A proposta recebeu 12 votos favoráveis e oito contrários, mas precisava de maioria absoluta, de 13 votos, para ser aprovada. A ausência de dois vereadores da base governista acabou sendo decisiva para o resultado.
Segundo Abilio, os vereadores deixaram de utilizar os instrumentos previstos no processo legislativo para alterar o projeto.
“Eu acho que houve um certo despreparo, uma falta de assessoria ou até mesmo um mau uso da inteligência artificial. Qualquer um deles entenderia que a LDO pode ser alterada por meio de emendas. Esses discursos vazios que fizeram no plenário foram perda de tempo”, afirmou.
O prefeito comparou a atuação dos parlamentares à de um estudante que perde o horário de uma prova importante por falta de organização.
“É como aquele aluno que sabe que o Enem é no domingo, chega atrasado, encontra o portão fechado e depois fica reclamando. O que eu vi foram vereadores que perderam o prazo para protocolar emendas, que não participaram das audiências públicas, nem das comissões, e tentaram apresentar tudo na última hora.”
Apesar de afirmar que houve desconhecimento sobre a tramitação da matéria, Abilio reconheceu que a rejeição da LDO também teve motivação política e foi influenciada pela disputa pela Mesa Diretora da Câmara.
“Isso está nítido. Eles votaram em grupo por causa da eleição da Mesa Diretora. Não é que eles tinham votos suficientes para rejeitar a LDO. O que aconteceu é que dois vereadores que votariam conosco estavam ausentes no momento da votação, e isso acabou fazendo com que a proposta fosse rejeitada”, declarou.
Nos bastidores, vereadores admitem que a derrota do Executivo foi uma demonstração de força do grupo que apoia a candidatura da vereadora Ilde Taques (PSB) à presidência da Câmara, em oposição à recondução da atual presidente Paula Calil (PL), nome apoiado por Abilio.
Abilio afirmou que a Prefeitura ainda avalia o melhor momento para reenviar a LDO ao Legislativo. Segundo ele, a intenção é dar mais tempo para que os vereadores analisem o texto e apresentem eventuais sugestões.
“Estamos conversando com a presidente Paula Calil para definir o melhor momento de encaminhar novamente a LDO. Queremos ter a convicção de que todos os vereadores tiveram tempo suficiente para estudar a proposta e apresentar as emendas que julgarem necessárias.”
O prefeito negou que pretenda usar o calendário de votação como estratégia para dificultar a participação de parlamentares que estariam com viagens programadas.
“Isso não é problema. Está tudo tranquilo”, afirmou.
Apesar das críticas à condução da votação, Abilio disse manter uma boa relação pessoal com os vereadores, inclusive com aqueles que hoje fazem oposição à sua gestão.
“Eles fazem seus discursos políticos na tribuna, mas quando nos encontramos existe respeito. A política não pode virar questão pessoal. Continuamos conversando e mantendo uma relação cordial, independentemente das posições de cada um.”


