RACHA INTERNO
Dilmar critica votação para apoiar Pivetta no União: “Nunca vi isso na história do partido”
Muvuca Popular
O deputado estadual e secretário-geral da União Brasil, Dilmar Dal Bosco, fez duras críticas ao formato da votação que será adotado para decidir o posicionamento do partido na disputa pelo Governo do Estado no pleito deste ano. O parlamentar afirmou nunca ter presenciado, ao longo de sua trajetória política, uma situação em que um partido coloque em votação o nome de um candidato de outra legenda, referindo-se ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
“Nunca vi isso na minha história como político. Sempre estive no PFL, fui presidente do PFL, presidente do Democratas e agora do União Brasil. Nunca houve divisão. Nós não estamos discutindo um candidato do nosso partido contra outro candidato. Estamos discutindo uma proposta do União Brasil e, infelizmente, vamos votar um candidato que nem é filiado à legenda”, declarou.
Segundo Dilmar, a orientação apresentada pelo presidente estadual, o ex-governador Mauro Mendes, prevê uma cédula com três alternativas aos 51 convencionais aptos a votar: apoio à candidatura do senador Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso, apoio à coligação com o Republicanos em favor de Otaviano Pivetta ou voto nulo/abstenção.
“O Mauro falou ontem que vai apresentar uma cédula para os 51 votantes com três opções: a candidatura de Jayme Campos, a coligação com o Republicanos e a possibilidade de abstenção. Vamos aguardar o que será definido no início da convenção.”
O deputado também detalhou como deverá ocorrer o processo de votação. Conforme explicou, a convenção será instalada com quórum mínimo de três quintos dos convencionais presentes. As candidaturas que tiverem consenso serão homologadas por aclamação, enquanto apenas os pontos sem consenso serão submetidos ao voto secreto.
“Tem que ter três quintos dos convencionais presentes para abrir a convenção. O que tiver consenso será por aclamação: deputados estaduais, deputados federais e o Senado, onde só existe uma indicação. O que não tiver consenso vai para votação.”
Entretanto, Dilmar avalia que a condução da convenção poderá provocar questionamentos ainda durante os trabalhos. Para ele, se o Senado, que possui apenas um nome indicado pelo partido, for homologado por aclamação, o mesmo critério deveria ser aplicado à candidatura ao Governo.
“Nós só temos duas candidaturas majoritárias do partido: uma para o Senado e uma para governador. Se for aclamação para o Senado, tem que ser aclamação também para o Governo. Acho que isso vai gerar questão de ordem e debate na convenção.”
Outro ponto levantado pelo parlamentar diz respeito à ausência de propostas formais de coligação. Dilmar afirmou que nenhum partido interessado em compor aliança com o União Brasil apresentou documentação dentro do prazo previsto pelo regulamento interno da sigla.
“De acordo com o procedimento do nosso partido, qualquer legenda interessada deveria protocolar o pedido três dias antes da convenção. Não aconteceu. Nem o Republicanos, nem o PL, nem qualquer outro partido apresentou documento. Não existe nenhuma proposta formal de coligação.”
Na avaliação do secretário-geral, essa ausência pode comprometer a apreciação de um eventual apoio a Otaviano Pivetta e abrir espaço para questionamentos jurídicos.
“Eu entendo que isso pode, inclusive, gerar questionamento jurídico. O presidente do partido precisa ser imparcial. Ele não pode apresentar, sozinho, uma proposta de coligação sem que exista um pedido formal de outro partido.”
Dilmar também revelou incômodo com a forma como a condução da convenção foi definida. Segundo ele, todas as regras relacionadas à votação foram estabelecidas exclusivamente por Mauro Mendes, sem deliberação conjunta com a direção partidária.
“Tenho conversado muito com o senador Jayme Campos e ele está deixando o Mauro conduzir. Mas toda a condução da convenção, inclusive as regras da votação, foi decidida apenas pelo Mauro. Nada foi deliberado conosco.”
Apesar do clima de tensão, o deputado disse não acreditar em manobras de última hora para alterar o resultado da convenção. Para ele, o processo faz parte da disputa democrática, embora considere inédita e lamentável a divisão interna vivida pelo União Brasil.
“Não acredito em jogo sujo. Cada um está fazendo sua parte e pedindo votos para quem defende. O que nunca vi foi o União Brasil chegar a esse ponto, colocando em votação uma proposta para apoiar um candidato de outro partido. Isso, para mim, é algo inédito e triste na história da legenda.”



