PARTIDO NÃO É CARTÓRIO
Jayme prevê vitória, critica “falta de espírito partidário” e diz que candidatura deveria ser aclamada
Muvuca Popular
O senador Jayme Campos chegou à convenção estadual do União Brasil, na manhã desta quinta-feira (30), em Cuiabá, afirmando estar confiante na homologação de sua candidatura ao Governo de Mato Grosso. Único nome inscrito para disputar o Palácio Paiaguás pela sigla, ele sustentou que deveria ser escolhido por aclamação e questionou a inclusão do apoio à reeleição de Otaviano Pivetta, do Republicanos, entre as opções da votação.
Recepcionado por apoiadores, Jayme afirmou que compareceu ao encontro de “espírito desarmado” e espera que os integrantes do diretório estadual e os delegados partidários votem com liberdade e compromisso com a legenda.
“As expectativas são as melhores possíveis. Estamos aqui de espírito desarmado. Espero que seja uma grande festa cívica e que os convencionais façam uma avaliação com espírito partidário”, declarou.
O senador lembrou que iniciou a trajetória política no grupo partidário em 1980 e citou sua passagem pelo PDS e pelo PFL, siglas que integram a história do atual União Brasil.
“Tenho uma história. Fundei o PDS em Mato Grosso, passei pelo PFL e hoje estou no União Brasil. Todo mundo conhece a história de Jayme Campos. Quem vota em mim sabe perfeitamente que sou companheiro e tenho espírito partidário”, afirmou.
Jayme criticou a realização de uma disputa interna mesmo sendo o único nome inscrito para concorrer ao Governo pelo partido. Para ele, a candidatura deveria ser homologada por aclamação, assim como ocorre quando não há concorrência para outros cargos.
“É a primeira vez que vejo, na história contemporânea da política brasileira, um único candidato inscrito para governador ter que disputar a candidatura. Eu imaginava que seria por aclamação, como ocorre com deputado estadual, federal, senador e governador”, disse.
Apesar da discordância, o senador afirmou que respeitará a decisão da direção partidária e participará da votação. Ele também declarou estar seguro de que vencerá a convenção e, depois, a disputa estadual.
“Vamos ao voto e tenho certeza de que vou ganhar esta convenção. Depois, vamos ganhar o Governo de Mato Grosso com o apoio da população mato-grossense”, afirmou.
Ao defender sua pré-candidatura, Jayme prometeu uma gestão voltada à maioria da população, especialmente às pessoas mais vulneráveis.
“Não será um governo para defender o poderio econômico do Estado, nem para fazer barganhas, mas um governo que trabalhe para a maioria da sociedade, sobretudo para os menos afortunados”, declarou.
Articulações adversárias
Questionado sobre encontros e articulações realizados por aliados de Pivetta e pelo grupo político do ex-governador Mauro Mendes, Jayme afirmou que não responderia pelas movimentações do bloco adversário.
“Eu não sei falar pelo Mauro nem pelo Pivetta. O que vai mandar será a convenção. Eu falo por mim, por Jayme Campos e pelos amigos que estão me apoiando. Não vou falar de reuniões ou jantares do lado de lá”, disse.
Novos convencionais
O senador também comentou as alterações na relação de pessoas habilitadas a votar na convenção. Segundo ele, alguns integrantes acumulavam duas posições partidárias, mas não poderiam exercer dois votos. Após a renúncia a uma das funções, os respectivos suplentes foram convocados.
“Tem pessoas que tinham direito, até então, a dois votos, mas o estatuto não permite. Então, renunciaram a um dos votos e foi chamado o primeiro suplente”, explicou.
Jayme afirmou que a convocação dos suplentes poderia gerar questionamentos jurídicos, mas descartou apresentar questão de ordem ou criar novos conflitos durante a convenção.
“Poderia até haver um questionamento jurídico, porque esse cidadão está presente e foi chamado o suplente. Mas não vou entrar com questão de ordem e não vou buscar nenhum desentendimento”, declarou.
Mesmo diante das mudanças, o senador disse confiar que terá a maioria dos votos.
“Estou tão confiante que acredito que essas pessoas vieram para votar em quem representa de fato o partido e o povo de Mato Grosso. Independentemente de qualquer manobra que tenha ocorrido, para mim isso está superado”, afirmou.
Apoio a Pivetta na cédula
Jayme questionou ainda a inclusão, na cédula de votação, da opção para que o União Brasil apoie a reeleição de Pivetta. Segundo ele, não houve apresentação formal, dentro do prazo partidário, de uma proposta de coligação feita pelo Republicanos.
O senador citou o artigo 29, parágrafo 2º, do estatuto da legenda e sustentou que uma proposta dessa natureza deveria ter sido protocolada com três dias de antecedência.
“Não existe uma proposta de candidato ou de partido buscando coligação com o União Brasil. Se houvesse interesse, teria que ter sido protocolada três dias antes da convenção. Isso não foi feito”, afirmou.
Para Jayme, a falta de uma proposta formal reforça a tese de que sua candidatura deveria ser homologada sem a realização de disputa.
“Não tinha por que ter votação. Tinha que ser por aclamação. Por que colocar em votação uma coisa que não existe? É preciso fazer essa reflexão e concluir se está certo ou errado”, disse.



