RECOMPOSIÇÃO
Neri aposta em aliança do Podemos com Pivetta mesmo após rusgas pela vice
Do local: Renato Ferreira
O ex-deputado federal Neri Geller (Podemos) aposta que as rusgas provocadas pela disputa pela vaga de vice não serão suficientes para afastar o partido da candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Segundo ele, a tendência é que o Podemos supere as divergências e feche uma composição com Republicanos e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
O futuro do Podemos ganhou uma dose de incerteza depois que Fábio Garcia (União Brasil) foi escolhido para ocupar a vice de Pivetta. O partido presidido em Mato Grosso pelo deputado Max Russi reivindicava espaço na chapa majoritária e chegou a ser apontado como favorito para indicar o vice.
O desfecho provocou insatisfação. Nesta terça-feira (4), durante a convenção do Podemos, a legenda não anunciou oficialmente quem apoiará na disputa pelo Governo do Estado e delegou à Executiva estadual a decisão sobre a coligação.
Neri, entretanto, acredita que o impasse será superado.
“Eu estou muito tranquilo com relação à composição do Podemos na chapa do Otaviano Pivetta. Acho que até amanhã as coisas se definam e o Podemos deve coligar e alinhar com o Republicanos e também com o União Brasil e o PP”, afirmou.
Candidato a deputado federal pelo Podemos, Neri revelou que sua própria filiação à legenda ocorreu com uma condição previamente estabelecida: permanecer no grupo político de Pivetta.
“A minha ida para o Podemos veio condicionada já ao apoio ao Otaviano Pivetta. O Max deixou isso bem claro, a presidente Renata sabe disso também”, declarou.
A relação entre Max e o grupo governista atravessou momentos de tensão durante a montagem da chapa. O presidente da Assembleia chegou a discutir alternativas diante da possibilidade de o Podemos ficar sem espaço na majoritária. O próprio ex-governador Mauro Mendes admitiu que movimentações de última hora de Max, incluindo a possibilidade de lançamento de candidatura própria, provocaram “constrangimentos” entre os aliados.
Apesar do desgaste, Neri avalia que ainda existe espaço para entendimento e trata a permanência do Podemos no grupo de Pivetta como uma questão de diálogo.
“Eu tenho esse mesmo compromisso. A ida para o Podemos já foi com a ideia de participar e apoiar Otaviano Pivetta na reeleição dele. Então, acho que é só questão de conversa”, disse.
Mesmo que a direção partidária tome outro caminho, Neri deixou claro que sua posição pessoal não muda.
“De qualquer maneira, a minha opção é ficar junto com Otaviano Pivetta”, concluiu.
A definição do Podemos é uma das últimas peças pendentes no tabuleiro governista após a escolha de Fábio Garcia para vice. Agora, as articulações se concentram em recompor a relação com Max Russi e evitar que a disputa por espaço na chapa provoque o rompimento de um aliado considerado estratégico para o projeto de reeleição de Pivetta.



