CRÍTICA À ALIANÇA
“Quanto mais juntar porcaria, menos chance de ganhar”, diz Abilio sobre grupo de Wellington
Patrícia Neves e Renato Ferreira
Ferrenho opositor à aliança do Partido Liberal e o MDB, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), classificou como um “erro” a aproximação do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) com o grupo político liderado pelo senador Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Para Abilio, a reunião de antigos adversários e lideranças tradicionais enfraquece eleitoralmente a candidatura.
Questionado sobre a possibilidade de Emanuel declarar apoio a Wellington, Abilio afirmou que a composição reúne nomes rejeitados pelos eleitores nas últimas disputas municipais. O prefeito citou os grupos dos irmãos Jayme e Júlio Campos, da família Riva e do ex-prefeito da capital.
“É um erro. Eu falo para você: esse grupo não ganha eleição. É um erro juntar Jayme, Riva e Emanuel. Não ganhou em Cuiabá, não ganhou em Várzea Grande, não ganhou em Rondonópolis, não ganhou em Primavera do Leste e não ganhará o Governo de Mato Grosso”, disparou.
Abilio elevou o tom ao dizer que a inclusão de mais integrantes na aliança reduz as chances de vitória de Wellington. O prefeito já declarou que não participará da campanha do correligionário nem pedirá votos para candidatos ligados ao MDB.
“Quanto mais juntar porcaria em um grupo só, menos chance tem de ganhar. Se a intenção é perder, continua juntando essa turma toda aí”, afirmou.
Apesar das críticas, o prefeito não apresentou provas de que exista um acordo formal entre Emanuel e Wellington. A declaração foi dada ao ser questionado sobre conversas atribuídas ao ex-prefeito para aderir ao projeto eleitoral liderado pelo senador.
Para sustentar a avaliação, Abilio mencionou o resultado das eleições municipais de 2024 em cidades consideradas estratégicas. Segundo ele, grupos políticos tradicionais apoiaram candidaturas que acabaram derrotadas em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Primavera do Leste.
O prefeito citou como exemplo a eleição de Flávia Moretti em Várzea Grande. Na avaliação dele, a vitória contrariou pesquisas e previsões de lideranças políticas que apostavam na candidatura de Kalil Baracat.
“Alguém aqui diria que a Flávia ganharia em Várzea Grande? Nenhuma pesquisa diria isso. Nenhum grupo político diria isso. Do lado do Kalil estava toda essa turma. E por que ele perdeu? Porque o povo de Mato Grosso não quer mais essa turma”, declarou.
Abilio também afirmou que a mobilização de assessores, perfis falsos e supostos robôs nas redes sociais não seria suficiente para mudar a rejeição popular. Novamente, ele não apresentou elementos que comprovassem a contratação desse tipo de serviço pelos adversários.
“Não adianta colocar assessor em matéria para ficar comentando. Não adianta contratar robozinho. Você vê vários comentários nos veículos, perfil falso e assessor de deputado. Pode reclamar o que for. O povo não quer mais essa turma no poder”, disse.
As declarações ampliam o distanciamento de Abilio da aliança construída pelo próprio PL em Mato Grosso. O prefeito já afirmou que permanecerá no partido, mas concentrará sua participação eleitoral nas campanhas de Flávio Bolsonaro à Presidência, José Medeiros ao Senado, dos candidatos proporcionais da sigla e de sua esposa, Samantha Iris.
Abilio sustenta que não pode pedir votos para candidatos adversários do PL, sob risco de infidelidade partidária, mas também não seria obrigado a defender Wellington ou os nomes apoiados por meio da aliança com o MDB.
Para o prefeito, a tentativa de reunir antigos adversários em uma única chapa não deve produzir o resultado esperado nas urnas.
“Se eles acham que vão se juntar para tentar voltar ao poder, não vai dar certo. Vão perder”, concluiu.



