MERCADO RURAL
Rogério Vende Fazendas aponta regiões mais valorizadas de MT e destaca força da BR-163; veja
Renato Ferreira
As áreas rurais localizadas no eixo da BR-163 estão entre as mais valorizadas de Mato Grosso atualmente. Municípios como Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sinop, além de cidades próximas à rodovia, concentram propriedades disputadas por produtores e investidores, impulsionadas principalmente pela logística, produtividade e regularidade das chuvas.
A avaliação é do empresário e corretor Anderson Rogério Pinto, conhecido nacionalmente como Rogério Vende Fazendas. À frente da 7 Rural, ele estima já ter participado de negociações que ultrapassam R$ 4,5 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), ao longo de mais de duas décadas de atuação no mercado imobiliário rural.
Segundo Rogério, o corredor da BR-163 reúne algumas das características mais procuradas por quem busca investir em propriedades agrícolas. “Quando a gente fala da BR-163, estamos falando de Sorriso, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sinop e também das cidades adjacentes, como Ipiranga do Norte e Vera. São regiões que têm uma valorização expressiva pela regularidade de chuva, terras planas, talhões grandes e boa textura de solo”, explicou.
Entre os fatores que mais interferem no preço de uma fazenda, a localização aparece no topo da lista. Para o corretor, quanto melhor o acesso aos corredores de escoamento da produção, maior tende a ser o valor da propriedade.
“O principal fator que valoriza a terra hoje chama logística. Quanto mais próxima do porto e das rotas de escoamento, mais valorizada ela está. Depois vem a regularidade de chuva e, em seguida, a textura do solo”, afirmou.
Rogério destaca que propriedades consideradas de alta qualidade praticamente desapareceram das ofertas em algumas regiões. Nessas áreas, segundo ele, é comum que produtores vizinhos disputem as poucas terras disponíveis.
“Nas regiões de terras boas praticamente não tem mais fazenda à venda. O vizinho compra o vizinho por um valor muito alto. E hoje Sorriso é campeão na valorização imobiliária quando falamos de hectare agricultável”, disse.
Apesar de o preço por hectare ser importante, ele afirma que esse não é o principal fator analisado por investidores na hora de fechar negócio. A capacidade de a própria fazenda gerar retorno financeiro costuma pesar mais.
“Quem está comprando quer saber quanto essa fazenda entrega de payback (quanto tempo leva para a fazenda lhe dar retorno). O prazo conta, o valor por hectare conta, mas a produtividade conta muito mais”, explicou.
O mercado de propriedades rurais, porém, não se resume a números. Rogério afirma que uma negociação também envolve entender a história de quem vende, principalmente em fazendas que permanecem durante décadas com a mesma família.
“O vendedor muitas vezes tem uma relação emocional com aquela terra. Foi o pai que abriu a fazenda, foi ali que os filhos cresceram, que a família construiu sua história. Existe um valor histórico e emocional que precisa ser respeitado”, afirmou.



