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NAS ESCOLAS

Projeto “Boyzinho de Respeito” aposta na prevenção da violência de gênero

Muvuca Popular

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A prevenção da violência contra a mulher também começa na escola. Com essa perspectiva, o projeto “Boyzinho de Respeito: Saúde mental, cuidado e proteção às mulheres” foi apresentado nesta segunda-feira (17) no Auditório Gervásio Leite do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), durante a abertura da 33ª Semana da Justiça pela Paz em Casa.

A iniciativa foi apresentada pelo fundador da New School, João Paulo Malara, e pelo educador, ativista e líder social comunitário Fernando dos Santos. Desenvolvido em parceria com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o projeto é finalista do Prêmio Innovare, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e da 6ª edição da Fest Labs, que será realizada nos dias 20 e 21 de agosto, em Cuiabá.

O encontro nacional dos laboratórios de inovação do Poder Judiciário é coordenado pelo CNJ em parceria com o TJMT, e terá como tema “Justiça Híbrida: humanos, dados e inteligência artificial”.

A programação da Semana da Justiça pela Paz em Casa é promovida pelo TJMT, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), e integra a mobilização nacional coordenada pelo CNJ. A abertura também marcou a retomada dos projetos “A Escola Ensina, a Mulher Agradece – Aprender a Respeitar Transforma a Sociedade” e “Prêmio Escola Pela Vida das Mulheres”, com a assinatura dos respectivos editais pelo TJMT e pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Prevenção antes da violência
O projeto “Boyzinho de Respeito” foi criado para trabalhar a saúde emocional e desconstruir padrões de masculinidade tóxica entre meninos e jovens, com foco na prevenção da violência doméstica.

A metodologia é composta por 12 episódios de aproximadamente 10 minutos, distribuídos em três módulos: Compreensão da crise da masculinidade; Desenvolvimento de relações saudáveis por meio da corregulação emocional; e Identificação e desconstrução de padrões machistas.

O projeto surgiu a partir de experiências da New School em ações de prevenção à violência doméstica realizadas em parceria com o Poder Judiciário. Uma iniciativa desenvolvida em 2024 pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), finalista do Prêmio Innovare, inspirou a criação de uma proposta direcionada especificamente ao público masculino, a partir de uma demanda do TJPE, por meio do laboratório de inovação Ideias e da Cemulher-PE.

Além do conteúdo digital, a metodologia prevê rodas de conversa nas escolas e formação de professores, educadores sociais e outros profissionais, que recebem materiais para atuar como multiplicadores de respeito.

Educação que muda trajetórias
Durante a apresentação, os palestrantes compartilharam parte de sua trajetória até o encontro dos dois, numa escola pública onde Fernando dos Santos trabalhava como inspetor de alunos.

João Paulo, como estudante, contou que sua trajetória de vida ganhou um novo sentido quando Fernando lhe apresentou uma frase de Nelson Mandela: “A arma mais poderosa para mudar o mundo é a educação”. A experiência contribuiu para a criação da New School, que oferece educação complementar à escola tradicional, com mais de 100 cursos gratuitos e atuação em diferentes regiões do Brasil, incluindo Chapada dos Guimarães (65km de Cuiabá).

Metodologia mede mudanças
Durante a apresentação, foi exibido um teaser do projeto, com a participação da desembargadora Dayse Pereira, do TJPE, que aborda a responsabilidade masculina na prevenção da violência contra a mulher.

A metodologia inclui avaliações realizadas antes e depois das atividades para identificar mudanças na percepção dos participantes sobre masculinidade e violência. Entre as ferramentas utilizadas estão o Índice de Bem-Estar Subjetivo, adaptado para acompanhar transformações relacionadas à masculinidade, o Ciclo Reflexivo de Dibbs e a GEM Scale, instrumento utilizado para avaliar atitudes relacionadas a gênero e violência doméstica.

Na prática, grupos de até 20 meninos participam de rodas de conversa sobre sentimentos, experiências e dúvidas. Ao final, uma nova avaliação permite verificar possíveis mudanças na percepção dos participantes.

Segundo João Paulo, em quatro encontros presenciais foi registrada evolução de 0,53 ponto em uma escala de um a seis. Entre os jovens que tiveram apenas contato digital com o conteúdo, a evolução foi de 0,26 ponto.

O sistema também permite identificar crenças mais resistentes em cada região, como “homem não chora” e “ciúmes é prova de amor”, possibilitando direcionar as ações de prevenção de acordo com as necessidades identificadas.

Um outro projeto
João Paulo contou que está visitando escolas de Chapada dos Guimarães, Planalto da Serra e Nova Brasilândia. A atuação está relacionada ao projeto “Por detrás das telas – jovens conectados”, desenvolvido em parceria com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), com foco em proteção digital, letramento em inteligência artificial, ética e senso crítico.

O painel teve como presidente de mesa o juiz Leonísio Sales, da Comarca de Chapada dos Guimarães (65km de Cuiabá), e como debatedora a juíza Djéssica Kuntzer, da Comarca de Pontes e Lacerda (443km de Cuiabá).

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