NÃO TEME SER ALVO
Abílio afirma que Prefeitura está de “porta aberta” para as operações policiais
Thalyta Amaral e Renato Ferreira
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), afirmou que a Prefeitura está aberta a operações policiais e do Ministério Público do Estado (MPE) sobre quaisquer denúncias de corrupção, já que não tem nada a esconder. No entanto, o gestor afirma ser contra a espetacularização dessas operações, especialmente em ano eleitoral.
A declaração de Brunini ocorre pouco tempo depois da Operação Heritage, da Polícia Federal, que, no começo do mês, cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador Mauro Mendes (União), do ex-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho e do deputado federal Fábio Garcia (União) por suspeita de desvio de dinheiro público através de um acordo de R$ 508 milhões com uma empresa de telefonia.
“Vamos supor que queira fazer uma operação no município de Cuiabá. Eu vou lá, estar com a porta aberta. Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público, qualquer um que quiser fazer uma operação no município de Cuiabá pode ir lá e pegar qualquer hora do dia”, disse à imprensa na terça-feira (18).
No estilo de “quem deve não teme”, Abílio criticou o colega de partido, o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL), que afirmou que irá propor um projeto de lei para proibir operações policiais contra candidatos nos meses que antecedem as eleições.
“Não concordo e acho que nem tem proposta. Eu acho que houve um equívoco na fala dele, a forma de dizer. Eu acredito que o que ele queria dizer é essa condução do processo supostamente investigativo para tumultuar o processo eleitoral”, explicou.
No entanto, o gestor pontuou que essas operações têm sido usadas como estratégias políticas. “O que é a nossa crítica principal? É transformar isso em espetáculo. Ou seja, foram lá na casa do cara [Mauro Mendes] para pegar um passaporte. Aí é só para fazer mídia que foi na casa do cara”.
“Fez mídia, fez vídeo, postou na internet a Polícia lá na casa do cara e saiu com o quê? Não pegou o celular do cara, não pegou o computador. É uma crítica a esse posicionamento. Poderia ter solicitado o passaporte dele e ele voluntariamente lá entregar. Que prejuízo teria?”, argumentou ainda.
Abílio ainda enfatizou que ele mesmo pode ser alvo de uma operação, por estar envolvido ativamente em campanhas. “Nós estamos vivendo um momento, falar uma verdade, processo eleitoral, estamos vivendo um momento que tudo é possível. Pode acontecer de uma operação na Prefeitura de Cuiabá simplesmente por causa do processo eleitoral”.



