'NEM PETISTAS, NEM BOLSONARISTAS'
Galvan detona família Maggi por apoio a Lula; ‘são dinheiristas’
Gustavo Castro
O candidato ao Senado por Mato Grosso Antônio Galvan (Avante) atacou o posicionamento político da família Maggi e classificou o empresário Eraí Maggi e o ex-governador e ex-senador Blairo Maggi como “dinheiristas”.
A declaração ocorreu nesta quarta-feira (19), durante entrevista à imprensa, após Galvan ser questionado sobre a proximidade de Eraí com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na avaliação do candidato, o apoio da família ao atual governo não seria motivado por identificação com o Partido dos Trabalhadores, mas pela possibilidade de obter acesso a recursos públicos e oportunidades econômicas.
“Eles não são petistas, eles não são bolsonaristas. Eles são dinheiristas”, afirmou.
Galvan disse que conhece a relação da família com políticas de financiamento e mecanismos de apoio ao setor agropecuário e sustentou que parte dos recursos destinados à equalização de preços teria beneficiado os empresários.
“Quem abre os cofres e dá dinheiro para eles, claro que paga de volta, ninguém está falando que é de graça, eles apoiam”, declarou.
Críticas ao apoio a Lula
Durante a entrevista, Galvan também citou Blairo Maggi ao explicar sua avaliação sobre a relação da família com diferentes governos.
Segundo ele, os empresários teriam se afastado da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) porque, na sua avaliação, o governo teria promovido uma distribuição diferente dos recursos destinados aos produtores rurais.
Já durante os governos petistas, afirmou Galvan, a família Maggi teria encontrado condições favoráveis para ampliar seus negócios.
O candidato citou ainda o Banco ABC Brasil, instituição que passou a integrar o grupo empresarial ligado a Blairo Maggi, ao fazer referência ao período do governo Dilma Rousseff (PT). A afirmação de Galvan sobre a origem e o contexto dessa instituição não foi detalhada na entrevista.
“Não tenho nada contra o PT”
Apesar das críticas ao governo Lula, Galvan afirmou que sua oposição não é direcionada especificamente ao Partido dos Trabalhadores, mas à forma como o país estaria sendo administrado.
“A sigla partidária não tem culpa nenhuma”, disse.
Na mesma linha, o candidato fez uma comparação com o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a instituição também não deveria ser responsabilizada de forma genérica pelas decisões de seus integrantes.
“Como a própria Suprema Corte, o STF, não tem culpa nenhuma. São membros que fazem parte dela e que fazem as coisas erradas”, afirmou.
Galvan, que presidiu a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), é candidato ao Senado pelo Avante. Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral para a eleição deste ano, informou patrimônio de R$ 45,4 milhões, valor 222,7% superior aos R$ 14,09 milhões declarados em 2022.
O produtor rural também já foi alvo de investigação relacionada aos atos antidemocráticos que ocorreram após a eleição presidencial de 2022.
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