EM DEFESA DELAS
“Homem não morre lavando roupa ou cuidando de criança”, diz Buzetti ao rebater Galvan
A senadora e candidata ao Senado Margareth Buzetti (PP) rebateu as declarações do candidato Antônio Galvan (Avante), que minimizou os casos de feminicídio e defendeu que as mortes de homens praticadas por mulheres também deveriam receber destaque.
“Homem não morre cuidando de criança, não morre lavando roupa, não morre dentro de casa. Homem morre no bar, morre na facção, morre por causa do futebol”, declarou Buzetti.
Galvan afirmou que não deveria haver diferença entre feminicídio e homicídio e comparou a criação de uma legislação específica para proteger mulheres à adoção de cotas. Segundo ele, não deveria existir “lei para homem ou mulher”. O candidato também associou os assassinatos de mulheres à desestruturação familiar e às dificuldades financeiras.
Buzetti classificou as declarações como “absurdas” e afirmou que o adversário demonstra despreparo para ocupar um cargo público ao minimizar a violência contra mulheres.
“Se ele acha que isso não existe, ele não pode ser um homem público. Ele não pode lavar as mãos e não enxergar que esse tipo de crime acontece, porque acontece quatro vezes por dia no Brasil. Lamento que ele tenha falado isso”, afirmou.
A candidata é autora do Projeto de Lei 4.266/2023, conhecido como Pacote Antifeminicídio. A proposta deu origem à Lei 14.994/2024, que transformou o feminicídio em crime autônomo no Código Penal e aumentou a pena de 12 a 30 anos para 20 a 40 anos de prisão.
Antes da mudança, o feminicídio era tratado como uma qualificadora do homicídio. Com a nova legislação, passou a ter um artigo próprio no Código Penal e pode receber novos agravantes, conforme as circunstâncias do assassinato. Buzetti também rejeitou a tentativa de relacionar o feminicídio à pobreza ou às dificuldades financeiras das famílias.
“Conheço várias famílias pobres que vivem muito bem, apesar das dificuldades. Esse é um discurso vazio, sem nexo, e ele deveria repensar se quer ser um homem público”, disse.
A senadora afirmou ainda que discursos como o de Galvan contribuem para silenciar vítimas e ignoram que muitas mulheres são assassinadas porque os autores não aceitam o fim do relacionamento.
“Eles acham que a palavra feminicídio é coisa de esquerda. Quando uma mulher é assassinada, eu não pergunto de que lado era o assassino. Ela foi morta”, concluiu.



