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Apreensões de madeira financiam centro especializado em autismo em MT

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Recursos de transações penais provenientes de apreensões de madeiras irregulares e o trabalho de pessoas privadas de liberdade permitiram, junto com outras doações, a concretização de um sonho da comunidade de Guarantã do Norte: a abertura do Centro Especializado de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) Silvana Prado.
Cerca de R$ 900 mil foram destinados à conclusão das obras e à aquisição de equipamentos e materiais terapêuticos para o Centro. Os recursos são provenientes da conversão em dinheiro de apreensões de madeiras irregulares realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na divisa de Mato Grosso com o Pará.  Os valores foram viabilizados por meio de acordos de composição civil em transações penais, analisados e homologados pelo Poder Judiciário de Mato Grosso.
O juiz diretor do Fórum de Guarantã do Norte, Guilherme Carlos Kotovicz, destaca que a iniciativa é fruto de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Prefeitura municipal e o Ministério Público Estadual. Para ele a concretização do projeto é um exemplo de como a Justiça é capaz de promover transformação social.
“A madeira apreendida, que antes era fruto de infração ambiental, não se perdeu na burocracia, mas transformou-se em recursos financeiros reais, devolvendo à sociedade um bem precioso na forma de cuidado, dignidade e atendimento especializado”, ressalta.Espaço interno do Centro de Autismo Silvana Prado, equipado para atividades terapêuticas e multissensoriais. O ambiente conta com estruturas de madeira, redes, balanços, piscina de bolinhas, parede de escalada e outros equipamentos destinados ao desenvolvimento de habilidades motoras e sensoriais.
Inaugurado no último dia 26 de agosto o espaço localizado no bairro Jardim Vitória, conta com recepção, consultório médico, salas de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, além de espaços para oficinas, terapia ocupacional, atividades multissensoriais e apoio escolar. O local dispõe ainda de copa, cozinha e área de serviço.
Ressocialização – Além da destinação de recursos, a participação da Justiça também esteve presente na execução da obra. A reforma e ampliação do prédio contaram com mão de obra de pessoas privadas de liberdade do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Peixoto de Azevedo, em parceria com a Fundação Nova Chance. Ao final dos trabalhos, os participantes receberam certificados de capacitação profissional.
Para o magistrado, a participação de pessoas privadas de liberdade conecta dois importantes processos de inclusão: de um lado, a oportunidade de aprendizado profissional e reconstrução de trajetórias. E de outro, a criação de um espaço destinado a crianças, adolescentes e demais pessoas com autismo e suas famílias.
“Ao empregarem a própria força de trabalho na reforma do prédio e receberem capacitação profissional, esses homens não apenas cumprem suas penas e aprendem um ofício, mas resgatam a própria dignidade ao erguerem as paredes que acolherão pessoas com autismo e suas famílias”, pontua Guilherme.
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