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MOBILIZAÇÃO RELIGIOSA

Abilio diz não ver ilegalidade em pastor pedir apoio eleitoral a fiéis fora de igreja

Patricia Neves e Renato Ferreira

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou não ver ilegalidade na mobilização eleitoral realizada ao lado da Igreja Universal do Reino de Deus, na região da Prainha, no Centro da capital. Um vídeo gravado na noite de quarta-feira (2) mostra centenas de fiéis recebendo orientações para distribuir material de campanha em favor dos candidatos Eduardo Magalhães e Alex Sandro, ambos do Republicanos.

Questionado sobre o uso da influência religiosa para pedir votos e apresentar candidatos como representantes ligados a Deus, Abilio reconheceu que o ideal seria não promover esse tipo de mobilização. O prefeito, porém, comparou a situação com eventuais manifestações políticas realizadas dentro de universidades.

“O ideal é que não fizesse. Mas vai perguntar se na UFMT não estão fazendo. Um professor pode induzir o voto do aluno? Não estou dizendo que um erro justifica o outro. Estou dizendo que o ideal é que não fizesse”, declarou.

Na gravação, o responsável pela reunião admite que não poderia fazer o pedido dentro da igreja e, por isso, reuniu os fiéis na lateral do templo.

“Eu não posso fazer esse pedido lá dentro da igreja. Se eu fizer esse pedido dentro da igreja, tem problema. Então, tem que ser aqui”, afirma o homem.

Para Abilio, o fato de a mobilização ter ocorrido fora do templo afasta uma possível irregularidade. Ele argumentou que os participantes não eram obrigados a permanecer no local após deixarem a igreja.

“Por que ele falou do lado de fora? Porque não pode se manifestar do lado de dentro. Quando sai para o lado de fora do templo, quem é obrigado a ficar ali? Ninguém. A pessoa quer sair, sai. Se tivesse reunido em uma chácara ou em outra rua, poderia”, disse.

O prefeito também afirmou que os líderes religiosos estariam buscando representantes políticos alinhados às convicções defendidas pelas igrejas. Durante a resposta, Abilio alegou que o segmento evangélico enfrenta perseguição política e citou debates relacionados ao aborto, às manifestações de fé em espaços públicos e à laicidade do Estado.

“As igrejas estão sendo atacadas. Há uma guerra muito grande entre algumas partes da política e o segmento religioso. O Estado é laico, não laicista. Ele não se afasta de todas as religiões, ele permite todas as religiões”, afirmou.

Abilio ainda acusou setores da esquerda de adotarem uma postura contraditória ao criticarem manifestações políticas de pastores enquanto buscam apoio de lideranças evangélicas. Ele citou a criação de um comitê religioso ligado ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Se estão tão incomodados com o posicionamento de pastores, por que montar um comitê buscando pastores de esquerda? O que estão construindo é uma perseguição ao segmento religioso, principalmente aos evangélicos”, declarou.

Ao defender a atuação do responsável pela reunião, o prefeito disse que não pretende perseguir pastores e reiterou não enxergar ilegalidade na mobilização.

“Eu não vejo nada de ilegal. O que vejo é que ele está buscando, dentro do seu segmento, a defesa daquilo em que acredita. Para defender aquilo em que acredita, precisa de representantes. Não há nenhum tipo de ilegalidade, apesar de alguém poder inventar uma justificativa para isso”, concluiu.

No vídeo, os fiéis são orientados a distribuir material eleitoral e ampliar a campanha entre familiares, colegas de trabalho e funcionários. Em determinado momento, o interlocutor pede aos empresários presentes que conversem com seus empregados sobre as candidaturas.

O responsável também associa a mobilização à “obra de Deus”, afirma não receber dinheiro pelo trabalho e pergunta aos participantes se Deus poderia contar com eles. A reunião termina com uma oração e a distribuição do material de campanha.

A legislação eleitoral proíbe propaganda política em templos religiosos, considerados bens de uso comum para fins eleitorais. A orientação para que empresários abordem funcionários também pode ser analisada pela Justiça Eleitoral diante das regras que proíbem pressão ou constrangimento no ambiente de trabalho para influenciar votos.

Até o momento, não há informação sobre a apresentação de uma representação formal contra os candidatos ou os responsáveis pela mobilização. O episódio poderá ser submetido à análise da Justiça Eleitoral.

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