DENÚNCIA GRAVE
Alunas denunciam assédio sexual e revista em banheiros em escola militar na capital
Thalyta Amaral
Alunas da Escola Estadual Cívico-Militar André Avelino Ribeiro, no CPA, em Cuiabá, denunciaram supostos casos de assédio sexual praticados por policiais militares que atuam na unidade. Entre os relatos estão a entrada de servidor no banheiro feminino para uma revista e olhares considerados inapropriados para os corpos das estudantes. Os casos levaram o Ministério Público do Estado (MPE) a abrir uma investigação sobre o caso.
Segundo o documento, estudantes estariam sendo assediadas sexualmente por profissionais militares lotados na unidade escolar. A denúncia aponta ainda que os servidores entrariam nos banheiros femininos e observariam “de forma inapropriada os corpos das estudantes”. A então diretora da escola teria conhecimento das denúncias e, conforme o relato recebido pelo MPE, seria omissa na adoção de providências.
Um dos episódios apurados envolve a suspeita de que um militar tenha entrado no banheiro feminino para realizar uma revista. A informação chegou à direção durante uma reunião do Grêmio Estudantil, em 20 de maio deste ano.
O inquérito também aponta que um dos militares era citado com frequência pelas estudantes devido à maneira como se comunicava e mantinha contato visual prolongado com elas, comportamento que provocaria desconforto. Em 9 de junho, foi encontrado um bilhete atribuído a uma estudante do período noturno relatando incômodo com os olhares do servidor.
A própria Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou ao Ministério Público que, desde 2025, houve “diversos relatos de supostos assédios de cunho sexual de militares em face de alunas” da escola. Diante da recorrência das reclamações, a Secretaria reconheceu a necessidade de uma apuração cuidadosa e recomendou à unidade a adoção de medidas e o alinhamento dos militares quanto aos limites de atuação.
Com a abertura do inquérito, o MPE deu prazo de 15 dias para que a Seduc apresente informações sobre as medidas adotadas para colocar uma militar mulher na unidade, o cronograma de capacitação dos servidores, a criação de protocolos para abordagens e entrada em banheiros e a implementação de um Plano de Segurança Escolar. O órgão também determinou a realização de uma audiência extrajudicial com representantes da atual gestão da escola e da Seduc.
Outro lado
Por meio de nota a Seduc informou que está apurando o caso e colabora com o Ministério Público para a elucidação dos fatos.



