SERVIÇO NO CAMPO
Atuação de veterinários chega a 4,1 mil propriedades e 130 municípios de MT
Muvuca Popular
No campo, o trabalho do médico-veterinário vai muito além do cuidado com os animais. O profissional está presente no dia a dia das propriedades rurais, orientando produtores, acompanhando rebanhos, contribuindo para a melhoria dos índices produtivos e atuando na prevenção e controle de doenças. Fora da porteira, também participa de discussões técnicas, políticas públicas e ações voltadas ao fortalecimento das atividades produtivas.
No Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso e no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), essa atuação está presente em diferentes frentes. Na Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), médicos-veterinários estão diretamente ligados ao atendimento dos produtores e ao acompanhamento das atividades pecuárias.
Somente nas atividades de bovinocultura de corte e de leite, a ATeG do Senar MT atende 4.126 propriedades rurais, sendo 2.890 na bovinocultura de corte e 1.236 na bovinocultura de leite. Juntas, as duas atividades estão presentes em 130 municípios de Mato Grosso.
Outro exemplo é a ATeG Inseminação, que conta com 55 médicos-veterinários credenciados, responsáveis atualmente pelo atendimento de 1.619 produtores participantes do projeto.
Para o gerente da ATeG do Senar MT, Bruno Faria, que também é veterinário, a profissão tem papel fundamental para a sociedade por estar diretamente relacionada à saúde animal, à produção de alimentos e à saúde pública.
“Esse profissional presta um serviço muito importante para a sociedade, porque está ligado diretamente à sanidade dos animais e de vários produtos que são derivados deles, como leite, mel e carnes. Tudo isso passa por sistemas de inspeção, avaliação e acompanhamento para chegar com segurança à população”, destaca.
Dentro da porteira
Na propriedade rural, o médico-veterinário está próximo do produtor e acompanha de maneira prática os desafios enfrentados no campo. Na ATeG, esse trabalho envolve orientação técnica e acompanhamento da atividade produtiva, buscando melhorar os resultados da propriedade e contribuir para uma produção mais eficiente.
A atuação também está relacionada à prevenção de doenças e à manutenção da saúde dos rebanhos. Para Bruno Faria, esse papel é essencial não apenas para a produção, mas também para a proteção da população.
“O médico-veterinário tem uma grande importância na questão sanitária do país. Ele atua para cuidar dessa parte sanitária, das nossas fronteiras e barreiras sanitárias, evitando que ocorram doenças que possam ser transmitidas do animal para o ser humano e vice-versa”, explica.
Fora da porteira
A atuação do médico-veterinário também se estende para além da propriedade. No Núcleo Técnico da Famato, profissionais contribuem para o acompanhamento das atividades produtivas, elaboração de propostas, discussão de políticas públicas e articulação com entidades e órgãos públicos.
O assessor técnico de Pecuária da Famato e veterinário, Marcos Carvalho, é responsável pelo acompanhamento de nove atividades pecuárias dentro da instituição, entre elas bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, suinocultura, avicultura, apicultura e piscicultura.
Segundo ele, o trabalho busca estruturar e fortalecer esses setores em Mato Grosso, identificando gargalos e construindo soluções em conjunto com associações de produtores, órgãos públicos e entidades representativas.
“Nosso trabalho é realmente de estruturação do setor agropecuário dentro do Estado. Fazemos reuniões com associações de criadores e a ponte com a parte técnica para incentivar políticas públicas para esse público”, explica.
A atuação envolve diferentes etapas da produção, desde questões relacionadas à aquisição de insumos até produção, melhoramento genético, comercialização e abertura de novos mercados.
Um exemplo citado pelo assessor é o trabalho realizado em parceria com a ApexBrasil junto aos principais frigoríficos de pescado de Mato Grosso, com o objetivo de identificar aqueles que apresentam potencial exportador. A abertura de mercados, segundo ele, pode gerar um fluxo de demanda capaz de estimular o setor produtivo.
O Núcleo Técnico também mantém articulação com órgãos de defesa sanitária e outras instituições estaduais e nacionais para tratar de assuntos que impactam diretamente o produtor rural.
“Quando é uma questão que envolve a produção do setor dentro do nosso Estado, realizamos essa articulação técnica em Mato Grosso. Quando o assunto está relacionado à política nacional, buscamos entidades representativas que atuam em âmbito nacional”, afirma Marcos.
A atuação do médico-veterinário também é fundamental para garantir que produtos de origem animal cheguem ao consumidor dentro dos padrões de qualidade e segurança.
Para Marcos Carvalho, a profissão acompanha diferentes etapas, desde a criação dos animais até o beneficiamento da produção.
“O médico-veterinário tem essa atuação desde a criação, passando pelo processo de beneficiamento dessa proteína animal, que é muito importante para os seres humanos, garantindo que esse alimento chegue de forma segura à mesa dos consumidores”, destaca.
Esse trabalho também contribui para o reconhecimento do Brasil como um dos principais produtores mundiais de alimentos de origem animal. A atuação dos profissionais na área de defesa sanitária é fundamental para a certificação e a abertura de mercados internacionais.
“As certificações só são possíveis graças ao trabalho desse profissional em campo, certificando que os nossos produtos são livres de patógenos e doenças que podem causar problemas para o ser humano”, ressalta.
Dentro da porteira, o profissional atua de forma estratégica, contribuindo para a adoção de boas práticas, a promoção do bem-estar animal e a correta condução dos sistemas produtivos. Seu trabalho envolve a orientação quanto à alimentação adequada, ao acesso à água e ao manejo responsável, fatores essenciais para assegurar a qualidade da produção, a produtividade e a sustentabilidade da atividade.
“É uma profissão muito bonita. Em síntese, ela se preocupa com o desenvolvimento da humanidade. Apesar de ter um trabalho de relação direta com os animais, é sempre em benefício do ser humano”, resume Marcos Carvalho.



