Lançamentos de tecnologia costumam deixar os fãs sempre empolgados, mas conseguir comprar o smartphone preferido logo no lançamento é para poucos: o custo dos aparelhos está cada vez mais elevado. Todo mês de setembro, a Apple apresenta a nova edição do seu celular, e desta vez a novidade veio com mudanças importantes.
A Apple lançou o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max, além do iPhone Duo, o primeiro dobrável da marca. E aí vem a parte que mexe com o bolso. No Brasil, o iPhone 18 Pro parte de R$ 11.999 e o Pro Max, de R$ 12.999, ambos na versão de 256 GB. Nas configurações maiores, o Pro Max de 2 TB chega a R$ 21.999. Já o dobrável iPhone Duo começa em R$ 21.999.
Diante de números como esses, vale uma conversa honesta antes de qualquer simulação: nem todo lançamento precisa entrar no orçamento deste ano. Trocar de celular é um objetivo legítimo, mas ele divide espaço com a reserva de emergência, com as contas do mês e com outros planos. A pergunta não é só “consigo pagar a parcela?”, e sim “quanto do meu orçamento essa parcela ocupa e o que ela deixa de fora?”.
Quanto da renda faz sentido comprometer
Para responder a essa pergunta, uma referência simples ajuda a manter os pés no chão: parcelas de bens de consumo, como celular, TV e eletrodomésticos, idealmente não deveriam passar de 10% da renda mensal líquida, considerando que moradia, transporte e alimentação já ocupam a maior fatia do orçamento. Nas 12 parcelas de R$ 1.083,25 do iPhone 18 Pro Max, o peso muda bastante conforme a renda:
Renda mensal líquida______Parcela de R$ 1.083,25 representa
R$ 3.000__________36,1%
R$ 5.000__________21,7%
R$ 8.000 __________13,5%
R$ 12.000__________9,0%
Como mostra a tabela, o mesmo aparelho ocupa realidades bem diferentes dentro do orçamento. Se a parcela ultrapassa esse patamar, o recado não é desistir do objetivo, e sim dar mais tempo a ele. E é justamente aí que o planejamento vira dinheiro no bolso.
Quem se planeja, paga menos
Além do alívio de não ver parcelas ocupando o limite da fatura por um ano inteiro, quem se planeja para comprar paga menos. Há duas maneiras de fechar a compra: à vista ou parcelada. Na loja da Apple, o pagamento à vista tem 10% de desconto, o que leva o iPhone 18 Pro Max de R$ 12.999 para R$ 11.699,10. Parcelado em 12 vezes sem juros, o valor cheio é mantido: 12 parcelas de R$ 1.083,25.
Antes de partir para a conta, porém, cabe uma observação importante. Planejar por dois anos não significa comprar exatamente este aparelho, por exatamente este preço, daqui a 24 meses. O mais provável é que o cenário mude, já que modelos de gerações anteriores costumam ficar mais baratos conforme novos lançamentos chegam às lojas, e a própria Apple já sinalizou que o iPhone 18 tradicional, o 18e e a nova geração do Air chegam em 2027.
Ou seja, quem se organiza tende a encontrar, lá na frente, o mesmo modelo por um valor menor, uma versão mais nova pelo preço de hoje ou com a variação da inflação desse produto. O câmbio e os impostos também influenciam, então o número final é uma referência, não uma promessa.
Feita essa ressalva, a simulação a seguir usa o preço de hoje como meta, uma espécie de teto. Se o valor cair no meio do caminho, a sobra vira troco para a capinha, para o seguro do aparelho ou para o próximo objetivo. Considerando uma pessoa que se organizou por 2 anos (24 meses) para trocar de celular, investindo a uma taxa próxima de 1,1% ao mês, equivalente aos 14% ao ano da Selic atual, seriam necessários aportes mensais de R$ 436,61 para chegar ao valor à vista do aparelho.
Aportes (24 vezes)__Valor acumulado_Rendimento descontado o IR___Saldo total
R$ 436,61______R$ 10.478,56__R$ 1.220,54________R$ 11.699,10
Traduzindo os números: seria preciso reservar R$ 10.478,56 do próprio bolso ao longo de 24 meses para atingir o valor à vista do aparelho, hoje em R$ 11.699,10. Quem parcela em 12 vezes desembolsa o valor integral. A diferença é de R$ 2.520,44, quase 20% a menos para quem investiu, sem contar a chance de o preço já ter recuado até lá.
Se a conta faz sentido, resta definir o destino desses aportes.
Onde eu invisto para trocar meu celular?
Investimentos de curto prazo voltados ao consumo precisam de uma característica muito importante: liquidez, a velocidade com que se consegue sacar o dinheiro investido. Pode surgir uma promoção a qualquer momento, inclusive num sábado à noite, com pagamento no Pix ou boleto. Ter o dinheiro disponível é o que permite aproveitar a janela, e isso vale ainda mais quando o preço do objetivo pode cair antes do prazo.
O segundo fator é a previsibilidade. A renda variável pode ser bastante rentável no longo prazo, mas é imprevisível no curto. Por isso, a renda fixa é a melhor companhia para objetivos entre 1 e 3 anos. Na prática, três caminhos dão conta do recado:
1. Fundo 24h da Rico: resgate em D+0 e movimentação a qualquer hora, inclusive fora do horário comercial e nos fins de semana, com o dinheiro caindo direto na conta digital. A carteira é majoritariamente de títulos públicos federais e ativos de baixo risco, o benchmark é o CDI e a taxa de administração é de 0,40% ao ano, sem taxa de performance. É a opção que melhor combina com quem quer estar pronto para uma promoção relâmpago.
2. Tesouro Selic: acompanha a taxa básica de juros, hoje em 14% ao ano, com liquidez diária e considerado um dos investimentos de menor risco de crédito em reais.
3. CDB de bons emissores: vale buscar, no mínimo, 100% do CDI, dentro da cobertura do FGC. Quem já sabe a data da compra pode escolher um prazo definido e, em geral, capturar uma taxa maior.
Qualquer que seja a escolha, o pano de fundo joga a favor. Com a Selic em patamar bem mais generoso do que o de dois anos atrás, o caminho de quem começa agora ficou mais curto. E o dinheiro guardado não fica preso a um único modelo: ele acompanha o que fizer mais sentido quando a hora da compra chegar, seja o iPhone 18, uma geração anterior mais barata ou outro objetivo.
Para começar, basta criar um novo objetivo no aplicativo da Rico. E, para escolher onde alocar, o relatório Onde Investir traz as recomendações atualizadas do time de análise.
*Thaísa Durso é especialista em Finanças Pessoais da Rico.



