DENTRO DA PENITENCIÁRIA
Chamada de “princesa” e “cheirosa”, missionária recebia cartas de presos com pedidos de favores
Thalyta Amaral e Nickolly Vilela
A missionária evangélica Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, presa desde julho por participar de ações do Comando Vermelho dentro e fora da Penitenciária do Estado (PCE), recebia cartas de presos com pedidos de favores fora da cadeia. Nas cartas, ela era chamada de “princesa”, “cheirosa” e irmã querida.
O material foi revelado durante a quebra do sigilo telefônico de Rhavenna pela Polícia Civil. Nos arquivos do telefone, fotos de cartas de detentos com pedidos que vão do recebimento de dinheiro até a entrega de itens dentro da penitenciária.
Em uma das cartas encontradas na galeria de fotos da missionária, um preso pede que ela fale com a mãe dele que serão depositados dois PIX e que ela guarde. O detento pede ainda que Rhavenna leve para a penitenciária uma bíblia e um relógio recebidos como parte de uma dívida.
“A carta reforça que Rhavenna e seus familiares eram tratados por presos como integrantes de um círculo de confiança, incumbidos de administrar dinheiro, adquirir e encaminhar objetos, ao mesmo tempo em que recebiam presentes e benefícios”, diz trecho do relatório técnico da Polícia Civil.



