ZERO TEMOR DE EXPULSÃO
“Mesmo que Bolsonaro fale comigo, não vou mudar”, diz prefeito do PL sobre apoio a Pivetta
Renato Ferreira e Patrícia Neves
O prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic (PL), afirmou nesta quarta-feira (16) que não pretende deixar voluntariamente o partido, apesar de apoiar a candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) em detrimento do candidato da própria sigla ao Governo de Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes.
“Eu ainda estou no PL. Falaram que iam me expulsar, mas isso não aconteceu até agora. Estou apoiando o Pivetta. Se o partido quiser me expulsar, não tem problema nenhum, mas eu vou ficar com meus 120 mil habitantes de Primavera do Leste”, declarou.
Machnic reforçou que continuará filiado e que caberá à direção partidária decidir sobre uma eventual expulsão.
“Eu estou no partido, mas não vou pedir para sair agora. Se me expulsarem, não tem problema. Isso é democrático. Se quiserem me tirar, terão que me expulsar”, afirmou.
A declaração ocorre após o presidente estadual do PL, Ananias Filho, cobrar fidelidade dos prefeitos eleitos pela legenda que decidiram apoiar Pivetta. Ananias argumentou que os gestores receberam apoio político e recursos partidários durante as eleições municipais e, por isso, deveriam respeitar a candidatura de Wellington.
Questionado se poderia mudar de posição diante de um eventual pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro ou do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, Machnic descartou qualquer recuo.
“Mesmo que Bolsonaro fale comigo, minha posição já está definida. Não vou mudar”, garantiu.
O prefeito afirmou que apoia Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, Pivetta para o Governo de Mato Grosso e os candidatos José Medeiros e Mauro Mendes ao Senado. Para ele, o posicionamento eleitoral não representa um afastamento do campo político bolsonarista.
Machnic justificou a escolha por Pivetta alegando que o atual governo estadual tem destinado investimentos e apoio administrativo a Primavera do Leste.
“Eu escolhi ficar com Primavera do Leste, com as pessoas de Primavera do Leste. O Governo do Estado está ajudando muito o município e, neste momento, nós precisamos do governo. Conheço o trabalho de Pivetta desde quando ele era vice-governador e tenho certeza de que continuará ajudando os municípios”, disse.
O prefeito afirmou ainda que não conversou com Wellington sobre a decisão e que não foi procurado pelo senador em busca de apoio. Segundo ele, o único contato sobre o assunto ocorreu com Ananias Filho.
Apesar do risco de expulsão, Machnic declarou não estar preocupado com a possibilidade de ficar sem legenda. Conforme o prefeito, diferentes partidos já demonstraram interesse em recebê-lo, inclusive o Republicanos.
“Vários partidos já me convidaram. Não foi o Pivetta, foi o presidente do partido. Mas estou tranquilo e administrando Primavera do Leste. Se o PL quiser me expulsar, pode me expulsar”, afirmou.
Machnic classificou a ameaça de expulsão como uma postura extremista e defendeu mais espaço para divergências internas.
“Sou amigo do Ananias, do Eduardo Bolsonaro, do Fraga e do Jair Bolsonaro. Um extremismo nessa ameaça de expulsão. Faltou mais democracia no partido”, concluiu.
Machnic integra o grupo de prefeitos do PL que não apoiam a candidatura de Wellington Fagundes ao Governo de Mato Grosso. A lista inclui Flávia Moretti, de Várzea Grande; Abilio Brunini, de Cuiabá; Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; e Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis. Todos declararam apoio à reeleição de Otaviano Pivetta.



