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VOTO EMOCIONAL

Eleitor virou “torcedor” e propostas perderam espaço na eleição, diz analista político

Thalyta Amaral

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A menos de três semanas do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, a disputa política tem sido marcada mais pela defesa de candidatos e grupos políticos do que pelo debate de propostas. Para o analista político João Edisom de Souza, parte do eleitorado brasileiro passou a se comportar como uma “torcida organizada”, na qual a fidelidade ao candidato pesa mais do que discussões sobre saúde, educação, segurança ou economia.

“Tem o eleitor torcedor. Não importa se o país está bem ou está mal. Ele é Bolsonaro, ele é Bolsonaro, pode matar o mundo. Ele é lulista, ele é lulista, pode destruir tudo. Então, nós temos esses dois tipos de eleitores que não estão aí para problemas do país”, afirmou.

Na avaliação de João Edisom, o comportamento acaba deixando discussões sobre problemas enfrentados pela população em segundo plano. Temas que tradicionalmente ocupam espaço nas campanhas acabam dividindo atenção com embates entre os dois campos políticos.

“Nós temos cada vez mais eleitores que não estão nem aí para a política ou viraram torcedores de política. Nós estamos tendo um grupo muito pequeno de pessoas preocupadas com os problemas. Quando eu falo problema, é com saúde, educação, infraestrutura, segurança, esse tipo de coisa. Estão mais preocupados em saber que o seu ídolo esteja no topo do poder”, avaliou.

Para o analista, a divisão política também ultrapassa conceitos tradicionais de direita e esquerda. Na avaliação dele, parte dos brasileiros possui uma identificação mais clara com líderes políticos do que com as próprias correntes ideológicas.

“O país continua dividido, sem saber direito o que é direita, o que é esquerda, não tem muita noção disso, mas sabe muito bem o que é ser lulista, o que é ser bolsonarista”, disse.

Na reta final da campanha, o analista também vê um espaço mais restrito para eleitores que ainda aguardam algum acontecimento ou informação para decidir em quem votar.

“O que eu vejo é que uma grande maioria de eleitores já definiu por torcida. Alguns por serem partidários, alguma coisa assim, mas uma grande maioria por torcida”, afirmou.

Para João Edisom, o resultado é uma campanha em que a disputa entre grupos políticos ganha protagonismo e reduz o espaço para o confronto de ideias e propostas. “A polarização é entre polos de torcida e não de proposta, de ideias ou de concepção”.

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