Mato Grosso manteve, em 2025, a liderança nacional no valor da produção agrícola, com R$ 165,6 bilhões. O resultado representa um crescimento de 37,1% em relação ao ano anterior e corresponde a 17,9% de tudo o que foi produzido no campo brasileiro. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O estado ficou à frente de São Paulo, que registrou R$ 124 bilhões, e Minas Gerais, com R$ 109,4 bilhões. Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Bahia, Mato Grosso do Sul, Pará e Espírito Santo completam a lista das dez unidades da federação com os maiores valores de produção agrícola.
O desempenho mato-grossense foi impulsionado principalmente pelas lavouras de soja, milho e algodão. Juntos, os três produtos também sustentaram a retomada da liderança do Centro-Oeste entre as regiões brasileiras.
Em todo o país, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou a 345,4 milhões de toneladas em 2025, avanço de 18,2% em comparação com 2024, quando as lavouras foram prejudicadas pelas condições climáticas e pelos efeitos do fenômeno El Niño.
O valor da produção agrícola brasileira alcançou R$ 927,2 bilhões, crescimento de 18,4% em um ano e maior resultado registrado desde a criação do Plano Real, em 1994. Os valores são nominais e não foram corrigidos pela inflação.
Os dados fazem parte da pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM). O levantamento também mostrou que o Brasil ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 100 milhões de hectares colhidos. A área chegou a 100,6 milhões de hectares, aumento de 4,4% em relação ao ano anterior.
A extensão utilizada para a colheita equivale a aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados, território superior a toda a área de Mato Grosso, que possui cerca de 903,2 mil quilômetros quadrados.
Soja lidera produção
A soja respondeu por 34% do valor da produção agrícola nacional, com R$ 315,2 bilhões. A safra cresceu 14,4% e alcançou 165,2 milhões de toneladas, volume 20,8 milhões de toneladas superior ao registrado em 2024.
Segundo o IBGE, a disputa tarifária entre Estados Unidos e China aumentou a procura chinesa pela soja brasileira e contribuiu para manter os preços internos da commodity estáveis.
O milho apareceu na segunda posição entre os produtos de maior valor, com R$ 122,1 bilhões, seguido pela cana-de-açúcar, com R$ 108,9 bilhões, e pelo café, com cerca de R$ 100 bilhões.
Destaque no algodão
O algodão em caroço movimentou R$ 40,6 bilhões e ocupou a quinta posição no ranking nacional. A produção cresceu 16,4% e atingiu 6 milhões de toneladas, resultado que ajudou o Brasil a se consolidar como o maior exportador mundial do produto.
O IBGE destacou Mato Grosso como protagonista desse desempenho, devido aos investimentos em tecnologia, sustentabilidade e eficiência produtiva nas lavouras instaladas no Cerrado.
Centro-Oeste retoma liderança
Impulsionado pelo resultado de Mato Grosso e pela produção de soja, milho e algodão, o Centro-Oeste voltou a superar o Sudeste no valor da produção agrícola. A região movimentou R$ 288 bilhões em 2025, alta de 31,8%.
O Sudeste ficou na segunda posição, com R$ 271 bilhões, seguido pelo Sul, com R$ 181,1 bilhões; Nordeste, com R$ 113,7 bilhões; e Norte, com R$ 73,4 bilhões.
Entre 2018 e 2023, o Centro-Oeste havia liderado o ranking regional, mas perdeu a primeira colocação para o Sudeste em 2024. O avanço registrado no ano passado colocou novamente a região no topo da produção agrícola nacional.



