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DEBATE AO SENADO

Na despedida, candidatos reforçam trincheiras entre entregas, STF, Bolsonaro e pautas sociais

Patrícia Neves/ Renato Ferreira

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As considerações finais do debate da TV Vila Real, nesta quinta-feira (17), resumiram as estratégias adotadas pelos cinco candidatos ao Senado presentes no confronto. Carlos Fávaro (PSD) apostou nas entregas do mandato; Antônio Galvan (Avante) manteve o tom agressivo contra os governos; Pedro Taques (PSB) apresentou-se como combatente da corrupção; Margareth Buzetti (PP) criticou o excesso de ataques; e José Medeiros (PL) encerrou reivindicando para si a representação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mauro Mendes e Janaina Riva não participaram.

Primeiro a se despedir, Fávaro explorou a experiência acumulada em quase sete anos de atuação em Brasília. O candidato afirmou que trabalhou sem observar a filiação partidária dos prefeitos e vereadores atendidos e disse ter destinado cerca de R$ 4 bilhões aos 142 municípios de Mato Grosso.

Fávaro também destacou a proximidade construída com o presidente da República, ministros e colegas do Congresso. Em vez de retomar os ataques travados ao longo do programa, usou o último minuto para apresentar o mandato como principal credencial para permanecer no Senado.

“Não olhei sigla partidária, não olhei qual vereador ou prefeito iria me apoiar. Fui para Brasília para trabalhar. Ganhei a confiança do presidente da República, dos meus colegas senadores e dos ministros. Trabalhei e dei resultados”, afirmou.

Galvan adotou caminho oposto. O candidato encerrou a participação repetindo o tom de confronto que marcou seu desempenho no debate. Ele acusou adversários de mentirem sobre investimentos federais e sustentou que não houve aplicação de recursos da União na duplicação da BR-163 e no Contorno Norte, atribuindo as obras ao financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Você que é eleitor, não seja enganado”, declarou Galvan, antes de se apresentar como o “senador corajoso, cabeça branca” e prometer enfrentar o que chamou de covardia no Senado.

A fala consolidou a imagem escolhida por Galvan durante o encontro: a de um candidato disposto ao embate, com críticas ao governo federal, ao Governo de Mato Grosso e aos adversários. Na despedida, propostas específicas perderam espaço para acusações e para o apelo por uma representação mais agressiva em Brasília.

Com a ausência de Mauro Mendes (União Brasil), a ordem seguiu para Pedro Taques. O ex-governador fez uma apresentação pessoal, citou a origem familiar e relembrou a trajetória como procurador da República, senador e governador de Mato Grosso. Ele também afirmou não esconder o nome dos pais, em uma referência indireta às críticas feitas durante o debate às composições das chapas adversárias.

Taques voltou a colocar o combate à corrupção e as mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF) como prioridades. Ele prometeu enfrentar a “bandalheira” no Senado e no Supremo e argumentou que parlamentares investigados pela própria Corte não possuem independência para fiscalizar ministros.

“Setenta por cento dos senadores têm inquérito no Supremo Tribunal Federal. Não há como fiscalizar o Supremo com senadores investigados pelo próprio Supremo”, declarou.

Ao citar projetos apresentados durante o período em que esteve no Congresso, incluindo a proposta que transforma a corrupção em crime hediondo, Taques procurou reforçar a imagem de experiência jurídica e independência política. Também afirmou que não pretende usar o Senado como caminho para disputar outros cargos.

Margareth Buzetti adotou o tom mais crítico em relação à dinâmica do próprio debate. Depois de ser pressionada por adversários sobre alianças e posicionamentos, ela afirmou que nunca mudou de lado e convidou os eleitores a consultarem seu histórico público.

A candidata lamentou o que chamou de “mar de acusações” e disse ter comparecido para apresentar propostas direcionadas às famílias, mulheres, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Eu vim aqui com propostas, mas o que vi foi um mar de acusações, um acusando o outro. Tenho propostas para atender as famílias, os vulneráveis, as mulheres e os idosos”, afirmou.

A despedida de Margareth funcionou como uma tentativa de se afastar da polarização e dos ataques pessoais que dominaram parte significativa do encontro. Ao falar diretamente com pais, mães e avós, ela buscou ocupar um espaço mais moderado e associado às políticas sociais.

Último a falar, Medeiros apresentou sua trajetória pessoal, desde a infância na zona rural até a atuação como policial rodoviário federal, senador e deputado. Em seguida, reforçou o vínculo com Bolsonaro, principal eixo político de sua campanha.

Medeiros afirmou ter sido indicado pelo ex-presidente para disputar o Senado em Mato Grosso e direcionou sua mensagem ao eleitorado bolsonarista. Também reiterou a defesa da anistia aos envolvidos nos atos políticos e voltou a pedir o impeachment e a prisão do ministro Alexandre de Moraes.

“Quero falar com você, eleitor do presidente Jair Bolsonaro, que gosta de Jair Bolsonaro. Ele me indicou para ser o seu candidato em Mato Grosso ao Senado. Eu sou o candidato de Bolsonaro”, declarou.

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