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NA LATA

“A soberba do ‘já ganhou’ é irmã do ‘já perdeu’”, diz Dorileo sobre ausência de Mauro e Janaina

Renato Ferreira

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O superintendente da TV Vila Real, João Dorileo Leal, criticou a ausência dos candidatos ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) e Janaina Riva (MDB) no debate promovido pelo Grupo Gazeta de Comunicação, nesta quinta-feira (17). Ao analisar a decisão dos dois, que aparecem à frente nas pesquisas eleitorais, o empresário advertiu que a confiança excessiva pode ter efeito contrário nas urnas.

“A soberba do ‘já ganhou’ é a irmã mais próxima do ‘já perdeu’”, afirmou Dorileo após o encerramento do encontro.

Participaram do debate Carlos Fávaro (PSD), José Medeiros (PL), Pedro Taques (PSB), Margareth Buzetti (PP) e Antônio Galvan (Avante). Durante cerca de duas horas, os candidatos discutiram temas nacionais, trocaram acusações e apresentaram posições sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), corrupção, violência contra a mulher e atuação parlamentar.

Dorileo ressaltou que a ausência não causa prejuízo à emissora ou à organização do evento, mas impede que o eleitor compare ideias, propostas e o comportamento daqueles que pretendem representar Mato Grosso no Senado.

“A decisão de não vir ao debate não fere a Gazeta, não fere a TV Vila Real e não fere a proposta do debate. Fere o eleitor. Acredito que até quem pensa em votar nos ausentes passou a fazer uma reflexão: por que fugir do debate?”, questionou.

Na avaliação do superintendente, participar de um debate significa aceitar o confronto público e demonstrar capacidade para responder a críticas, denúncias e questionamentos. Para ele, quem deseja ocupar uma cadeira no Senado precisa mostrar não apenas propostas, mas também equilíbrio emocional e preparo para enfrentar discussões de interesse nacional.

“Eu sou da tese de que quem não deve não teme. Debate é confronto. Você pode ser atacado, denunciado ou ofendido, mas está ali, de corpo presente, com a possibilidade de responder”, declarou.

Dorileo observou que um debate entre candidatos ao Senado possui natureza diferente daquele realizado entre postulantes ao Governo do Estado. Enquanto a disputa pelo Executivo estadual concentra-se em propostas de gestão para Mato Grosso, a corrida ao Senado exige posições sobre o país, alterações constitucionais e decisões capazes de interferir diretamente na vida dos brasileiros.

“A missão do senador é propor leis, modificar a Constituição e interferir na vida do cidadão e da sociedade brasileira. Por isso, é importante ver o confronto de ideias, o equilíbrio emocional e as propostas dessas pessoas, principalmente em um momento de dificuldade institucional”, afirmou.

Segundo ele, a crise envolvendo o STF tornou ainda mais necessária a presença de todos os candidatos. O tema dominou parte do debate, com discussões sobre impeachment de ministros, decisões monocráticas, mandatos para integrantes da Corte e a independência dos senadores para fiscalizar o Judiciário.

“Quem postula uma das duas vagas ao Senado precisa assumir compromissos com a sociedade sobre o que fará no Congresso Nacional. É em momentos de dificuldade que conhecemos quem é quem e quem vai nos representar”, pontuou.

Ao comentar o argumento de que debates teriam se transformado em um “show de horrores”, Dorileo classificou a justificativa como retórica usada para encobrir a decisão de não comparecer. Ele afirmou que as regras são claras e discutidas previamente com as assessorias de todas as candidaturas.

“Se existe show de horrores, ele nunca foi praticado nos debates da Gazeta. Isso acontece em comícios, reuniões e encontros fechados, longe dos olhos da sociedade. Aqui existe confronto porque o formato permite pergunta, resposta, réplica e tréplica”, disse.

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