CONTA NÃO FECHA
“Não vejo oportunismo, mas vou rebater o que não deram”, diz Moretti sobre emendas
Patrícia Neves
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou que o município recebeu efetivamente cerca de R$ 45,2 milhões em emendas estaduais e federais referentes a 2025 e 2026. O valor está distante dos mais de R$ 300 milhões citados pelo senador Wellington Fagundes (PL), que atribuiu os recursos à atuação dele e dos senadores Jayme Campos e José Medeiros.
A divergência sobre os valores reforça o desgaste político entre Moretti e Wellington. Apesar de filiada ao PL, a prefeita apoia a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), adversário do senador na disputa pelo Governo de Mato Grosso.
Durante entrevista coletiva, Moretti afirmou que existe uma diferença entre a indicação de uma emenda e a entrada efetiva do dinheiro nos cofres municipais. Segundo ela, todos os valores já recebidos estão registrados no Portal da Transparência.
“Existem recursos que foram travados por causa do período eleitoral e que eu ainda não recebi. Existem destinações de emendas que não vieram e podem chegar depois da eleição. Então, eu não sei se vêm. O que está na conta está no Portal da Transparência”, declarou.
A prefeita disse que não vê oportunismo no fato de deputados e senadores divulgarem recursos destinados ao município durante a campanha. Ela ponderou, porém, que rebaterá os parlamentares que assumirem a autoria de valores que ainda não foram pagos.
“Eles têm o direito de usar, dentro da campanha, aquilo em que ajudaram Várzea Grande. Acho justo e não vou me opor. Agora, eu não concordo que falem sobre o que não deram. Nesse caso, vou rebater, como já rebati há alguns dias”, afirmou.
A declaração é uma resposta direta a Wellington, que afirmou, no dia 9 de setembro, que a gestão de Moretti já havia sido contemplada com mais de R$ 300 milhões. Na ocasião, o senador também disse que a prefeita não estaria reconhecendo a ajuda recebida dos integrantes do PL.
“Falar que eu recebi o dinheiro e estou sendo ingrata, não. Eu agradeço a todos que destinaram emendas, mesmo aquelas que ainda não caíram, porque tenho esperança de que caiam. Quero executar e pagar”, rebateu Moretti.
Ao detalhar os recursos relacionados ao PL, a prefeita afirmou que pediu uma emenda de comissão ao presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, mas que o dinheiro ainda não foi liberado.
Moretti também citou uma emenda de aproximadamente R$ 4,7 milhões indicada por Wellington para a compra de máquinas destinadas à agricultura familiar. Conforme a prefeita, o município já realizou os procedimentos necessários, mas o Governo Federal ainda não disponibilizou o dinheiro.
“A emenda ainda não se concretizou. Já fizemos todo o processo licitatório, mas não existe disponibilidade financeira. O Governo Federal não pagou. Ter a indicação é uma coisa; o recurso ter caído na conta é outra”, afirmou.
A prefeita mencionou ainda R$ 19 milhões indicados pelos deputados federais Coronel Assis, José Medeiros e Nelson Barbudo, por meio da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), para obras de infraestrutura.
Segundo Moretti, o recurso será utilizado na construção de um viaduto na Avenida da FEB, próximo à região da Avenida Mário Andreazza. O projeto está estimado em R$ 47 milhões, o que obrigará o município a buscar outras fontes para completar o valor.
“Depois do projeto executivo, o viaduto ficou com um custo mais alto. A emenda era de quase R$ 40 milhões, mas foi reduzida pela metade. Ficaram R$ 19 milhões e o processo ainda está em tramitação na Sudeco”, explicou.
Moretti também afirmou que recursos anunciados pela deputada federal Coronel Fernanda ainda não foram disponibilizados. Ela citou ainda uma emenda do deputado estadual Juca do Guaraná para a reforma da unidade de saúde do bairro Água Vermelha, cujo pagamento também estaria pendente.
“Quando a emenda cai na conta do município, eu contabilizo no Portal da Transparência. Antes disso, parece que eu peguei e movimentei o dinheiro, e isso não é verdade”, declarou.
Outro valor contestado pela prefeita envolve mais de R$ 80 milhões relacionados à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Santa Maria. Moretti afirmou que o recurso não corresponde a uma emenda parlamentar recente, mas a uma verba federal de 2013 que estava parada em razão da paralisação da obra.
De acordo com a gestora, os parlamentares ajudaram na interlocução com o Ministério das Cidades, mas não foram responsáveis pela destinação original do dinheiro. A prefeitura trabalha na repactuação do contrato e pretende contratar uma nova empresa para retomar a construção até o final do ano.
“É um recurso que o município já tinha e que estava parado em Brasília. Os deputados e senadores ajudaram na interlocução, apresentaram-nos aos diretores e superintendentes, mas não é uma emenda destinada agora”, explicou.
Moretti também rejeitou que recursos aprovados coletivamente pela bancada federal sejam atribuídos a apenas um parlamentar.
“Às vezes, a bancada inteira destina um recurso. Nesse caso, não posso falar que foi apenas um senador. Tenho que dizer que foram todos os deputados e senadores de Mato Grosso que fizeram a indicação. Seria injusto atribuir somente a um”, concluiu.



