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PESO NO BOLSO

Gasolina bate R$ 9,99 e trabalhador desabafa: “É uma carne que a gente deixa de comprar”

Patrícia Neves/Renato Ferreira

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A gasolina Podium chegou a R$ 9,99 por litro em postos de Cuiabá na manhã desta quarta-feira (23). Em uma visita às regiões das avenidas Historiador Rubens de Mendonça e República do Líbano, a reportagem também encontrou gasolina comum e diesel a até R$ 7,79 por litro. Para quem usa o veículo no trabalho, abastecer significa tirar dinheiro de outras despesas.

“Esse trem está difícil. Em vez de abaixar, no final do mês é uma carne que a gente deixa de comprar, uma conta de luz que fica. É dinheiro que tem que tirar do ganho, porque a gente não pode ficar parado”, disse Emanuel Laguardia, que trabalha no setor de refrigeração.

O entregador de aplicativo Willian Silva também reclama do impacto dos preços na renda e pede que os aumentos sejam fiscalizados. “Deveria ser muito mais fiscalizado pelos órgãos competentes para saber o motivo desse aumento. Antes era de seis em seis meses e agora é assim”, afirmou.

A alta dos combustíveis colocou Mato Grosso entre os estados acompanhados em uma operação nacional da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Segundo dados apresentados pelo órgão, o estado registrou algumas das maiores variações nos preços do diesel S10 e da gasolina comum. A Operação Carga Pesada, iniciada nesta quarta-feira, apura possíveis aumentos injustificados nas margens de lucro dos postos.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) recebeu cerca de 330 denúncias de suspeitas de altas indevidas no país. Com base em autos de fiscalização encaminhados pela agência, a Senacon instaurou 70 processos administrativos sancionadores contra postos de combustíveis. Os estabelecimentos terão 20 dias para apresentar defesa.

A investigação busca verificar se houve aumento injustificado das margens de lucro. Os preços encontrados pela reportagem em Cuiabá, por si só, não comprovam irregularidade.

Em nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT) afirmou que os postos vêm recebendo combustíveis com preços mais altos das distribuidoras. A entidade atribuiu a pressão sobre os valores a fatores como a alta do petróleo no mercado internacional, os custos do etanol e a redução das importações de diesel. O sindicato defendeu que a fiscalização alcance todas as etapas da cadeia de combustíveis.

Consumidores que suspeitarem de irregularidades podem procurar os Procons ou registrar denúncia na ANP pelo telefone 0800 970 0267. Ao denunciar, é recomendável informar o nome e o endereço do posto, o combustível, o preço cobrado e a data, além de apresentar comprovantes, se houver.

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