FIGURA CARNAVALESCA
Ícone de Cuiabá, “Jane Fonda” tem trajetória eternizada no cinema aos 70 anos
Muvuca Popular
Uma das personagens mais marcantes de Cuiabá nas décadas de 1970 e 1980, Jane Monteiro, conhecida como “Jane Fonda”, está prestes a ganhar as telas do cinema. Aos 70 anos, a cuiabana, que conquistou as avenidas durante o Carnaval e se tornou referência de moda e beleza em uma época de grandes transformações na capital, agora tem sua história contada no documentário intimista “JANE”, escrito e dirigido por Luiz Leite e que será lançado em novembro.
Entre o passado e o presente, de certa forma, a relação de Jane com a arte nunca foi interrompida. Se antes ela ocupava as ruas, os bailes, os desfiles e as passarelas com sua presença marcante, agora é diante das câmeras que sua trajetória ganha um novo capítulo. O filme transforma suas memórias pessoais em um registro da própria história cultural e social de Cuiabá.
Produzido pela Adjodja Filmes, o curta-metragem de 10 minutos foi gravado em Cuiabá, entre o bairro da Lixeira e o Centro Histórico, e propõe um olhar sobre a cidade a partir das lembranças de uma mulher transexual que atravessou diferentes décadas e permanece como testemunha de um tempo que já não existe da mesma maneira.
Jane revisita as memórias da persona espetacular que construiu no passado, mas o filme não se concentra apenas na personagem que encantava as avenidas. A produção acompanha também a mulher que ela se tornou e sua escolha de permanecer em casa, cercada pelos animais, objetos, lembranças e pelos próprios rituais de cuidado.
“A gente quando chega numa fase da nossa vida, como eu estou agora, com 70 anos, a gente procura mais ficar dentro do seu lar. Ali é seu reduto, é seu santuário. Por tudo que eu sou hoje, devo a essa Jane de antigamente. Eu sou uma mulher na aparência física e na minha alma. E se a gente não gostar do que a gente é, não vai gostar de mais nada”, diz Jane.
É justamente nesse encontro entre passado e presente que “JANE” se apresenta como mais do que um curta-metragem regional. A produção busca preservar um patrimônio imaterial de Cuiabá, recuperando histórias, costumes e personagens que ajudaram a construir a identidade da capital mato-grossense.
A velhice, a autonomia e a preservação da memória também ocupam lugar central na narrativa. Em vez de apresentar Jane apenas pela trajetória de enfrentamentos de uma mulher trans, o documentário escolhe observar sua intimidade e a forma como ela vive o presente.
“O filme não busca explicar Jane ou reduzi-la a uma trajetória de sofrimento. Queríamos observar quem ela é hoje: sua vaidade ao passar um batom em frente ao espelho, o afeto pelos animais, a lucidez sobre o tempo. Jane não precisa sair de casa para que a gente atravesse 70 anos da história cultural e social de Cuiabá”, explica o diretor Luiz Leite.
Assim, a mulher que um dia fez das avenidas seu palco agora transforma a própria casa em cenário. Entre fotografias, objetos, animais e lembranças, Jane revisita a persona que ajudou a construir e mostra que sua relação com a arte permanece viva, apenas encontrou uma nova forma de se manifestar.
SINOPSE
Em Cuiabá, Jane, aos 70 anos, abre as portas de sua casa e de suas memórias. Entre animais, objetos e lembranças de uma cidade que ficou para trás, ela conta histórias de uma vida atravessada pelo tempo, pelo afeto e pela insistência em existir.
JANE é um retrato íntimo de uma mulher e das memórias que permanecem quando tudo ao redor muda.
SOBRE O DIRETOR
Luiz Leite é cineasta e fotógrafo brasileiro. Começou na fotografia, passou pelo fotojornalismo e encontrou no cinema uma maneira de olhar com mais calma para as pessoas e histórias que atravessam seu caminho. Realiza trabalhos entre o documentário e a videoarte, quase sempre partindo de encontros reais, memórias e personagens que carregam histórias maiores do que aparentam. Seu cinema nasce da curiosidade e da vontade de continuar olhando quando todo mundo já parece ter ido embora.
FICHA TÉCNICA
• Título Oficial: JANE
• Gênero: Documentário Intimista / Memória / Biográfico
• Duração: 10 minutos
• Ano de Produção: 2026
• Local de Filmagem: Cuiabá, Mato Grosso (Bairro da Lixeira e Centro Histórico)
• Produção: Adjodja Filmes
• Escrito e Dirigido por: Luiz Leite
• Produção Executiva: Isabelle Fanaia
• Assistente de Direção: Renata Rodrigues
• Assistente de Produção: Arenor Junior
• Direção de Fotografia e Montagem: Luiz Leite
• Colorização: Stephany Lewandowski
• Trilha Sonora Original: Samba de Mandingueira — Sasminina (Prod. Joelson Conceição)
• Assessoria de Imprensa: Yuri Ramires



