ESTELIONATO ESPORTIVO
Presidente do Cuiabá diz que Santos e Corinthians estão em “estado de falência” e pede perda de pontos
Bebeto Dias
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a aumentar o tom contra clubes que devem ao Dourado. Nesta quarta-feira (23), o dirigente afirmou considerar que Corinthians e Santos vivem um “estado de falência” e defendeu perda de pontos para equipes que não honram compromissos financeiros.
As declarações foram dadas ao programa Fala a Fonte, da ESPN, um dia depois de a CNRD condenar o Santos a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá pela negociação do zagueiro Joaquim e pela participação do Dourado na posterior venda do jogador ao Tigres, do México.
“A gente sabe muitos bastidores do Corinthians. Acho muito difícil a gente receber. Ontem a CNRD condenou também o Santos a pagar quase R$ 19 milhões pelo Joaquim, mas também acho muito difícil. O estado do Corinthians e do Santos é de falência”, afirmou Dresch.
No caso do Corinthians, o Cuiabá cobra valores pela transferência do volante Raniele. A dívida foi incluída em um plano de pagamento da CNRD, mas, segundo Dresch, uma parcela de aproximadamente R$ 800 mil, vencida em julho, ainda não foi quitada. Outra vence em outubro.
O presidente argumenta que o problema financeiro acaba interferindo também dentro de campo. Segundo ele, clubes endividados continuam contratando e montando elencos caros enquanto equipes que aguardam os pagamentos têm o planejamento prejudicado. Foi nesse contexto que Dresch utilizou a expressão “estelionato esportivo” e defendeu punições mais pesadas.
“O transfer ban hoje está se mostrando insuficiente. Precisa ter perda de pontos. O Corinthians, se tivesse ameaçado de perder três pontos, esse dinheiro já teria saído de algum lugar”, declarou.
Dresch também citou Santos, Vasco e Botafogo ao questionar o atual modelo financeiro do futebol brasileiro. As expressões utilizadas representam a avaliação do presidente do Cuiabá sobre a situação dos clubes, e não uma caracterização jurídica ou decisão dos órgãos esportivos.
Para dimensionar o impacto das dívidas, o dirigente afirmou que a folha salarial atual do Cuiabá gira em torno de R$ 1,6 milhão por mês. Segundo Dresch, o clube possui aproximadamente R$ 43 milhões a receber de outras equipes.
“Esse dinheiro que entraria para mim é a sobrevivência. Eu vou sempre defender meu clube”, completou.



