RETA FINAL
Pivetta aponta benefício fiscal à família de Fagundes, que nega e promete renunciar; acompanhe
Renato Ferreira/Patrícia Neves
O candidato ao Governo de Mato Grosso Otaviano Pivetta (Republicanos) voltou a questionar o senador Wellington Fagundes (PL) sobre incentivos fiscais concedidos a empresas ligadas à família dele durante o segundo debate da TV Vila Real, nesta quinta-feira (1º). A discussão retomou uma declaração anterior de Fagundes, que havia prometido renunciar à candidatura caso fosse comprovado que sua mulher ou seus filhos receberam benefícios fiscais do Estado.
Dados de renúncia fiscal da Secretaria de Estado de Indústria e Comércio, porém, apontam que a Zootec Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários Ltda., ligada a um dos filhos de Fagundes, recebeu cerca de R$ 1,08 milhão em benefícios de ICMS entre 2019 e 2025.
A Zootec tem em seu quadro societário a João Antônio Fagundes Participações Ltda., cujo representante legal é João Antonio Fagundes Neto, filho do senador.
No debate desta quinta-feira, o confronto começou quando Wellington perguntou se Pivetta sabia a diferença entre renúncia fiscal programática e não programática. Na resposta, o candidato do Republicanos defendeu a política estadual de incentivos e afirmou que cerca de 1.500 empresas são beneficiadas.
“O nosso programa de incentivo fiscal, o seu filho, sua família, é beneficiada? Esse programa beneficia 1.500 indústrias”, declarou Pivetta.
O candidato afirmou que os incentivos contribuem para atrair investimentos, gerar empregos e aumentar a arrecadação. Segundo ele, a receita proveniente da indústria passou de R$ 3 bilhões, em 2016, para R$ 10 bilhões neste ano.
“Nós vamos continuar convidando empreendedores do mundo inteiro para vir investir aqui com a gente. Porque a indústria traz emprego, traz prosperidade”, disse.
Na réplica, Fagundes contestou uma acusação referente a outra empresa: a madeireira SGM, de Colniza. O senador negou que ela pertencesse ou tivesse pertencido ao filho e, dessa vez, prometeu renunciar ao mandato caso esse vínculo fosse comprovado.
“O senhor mentiu ontem dizendo que uma empresa madeireira de Colniza, SGM, que recebeu incentivos fiscais, é do meu filho. E eu quero aqui afirmar a toda a população que essa empresa não é e nunca foi do meu filho. E se for verdade, eu renuncio ao meu mandato”, declarou.
Wellington também desafiou Pivetta a renunciar caso estivesse mentindo. Ao retomar a palavra, o candidato do Republicanos levantou um material e afirmou: “Esse aqui é o panfleto que o seu filho tem”.
A mediação interrompeu a tentativa e informou que Pivetta poderia falar sobre o conteúdo, mas não exibi-lo. O material não foi apresentado ao público naquele momento.
Após a intervenção, Pivetta acusou os adversários de atuar em conjunto para atacá-lo e voltou a usar a expressão “consórcio”.
“Vocês perceberam que é um consórcio dos dois aí, só na briga. Eles não têm assunto para falar, estão desesperados e ficam me agredindo”, afirmou.
Na sequência, defendeu que o encontro se concentrasse nas propostas. “Foi para isso que eu vim aqui e espero que a gente nesse debate siga esse rumo, proposta”, disse.



