TRIBUNAL DO JURI
Trio é condenado a quase 69 anos pela morte do advogado Roberto Zampieri em MT
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Depois de três dias de julgamento e mais de 38 horas de plenário, o Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, na madrugada desta sexta-feira (2), os três réus acusados pela morte do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em dezembro de 2023 em frente ao escritório, na capital. Hedilerson Fialho Martins Barbosa recebeu 25 anos de reclusão. Antônio Gomes da Silva, que confessou o crime, e o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foram condenados a 21 anos, 10 meses e 15 dias cada um. As penas somam 68 anos e nove meses. A sentença foi anunciada à 0h40 pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal.
A maior pena ficou com Hedilerson, instrutor de tiro apontado pela acusação como quem forneceu a arma. Ele foi o único que não teve nenhuma atenuante reconhecida. Antônio, pedreiro acusado de fazer os disparos, teve a pena reduzida por ter confessado. Caçadini, que segundo o Ministério Público fez a ligação entre os mandantes e os executores, foi beneficiado por ter mais de 70 anos.
Os sete jurados reconheceram homicídio qualificado para os três, com as mesmas circunstâncias: motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.
Zampieri foi morto em 5 de dezembro de 2023, dentro de uma caminhonete, diante do escritório no bairro Bosque da Saúde. De acordo com a acusação, o crime foi encomendado por causa de uma disputa de terras avaliadas em cerca de R$ 100 milhões. Os supostos mandantes respondem a outro processo.
As mensagens encontradas no celular do advogado durante a investigação do homicídio deram origem à Operação Sisamnes, que apura a venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Esta foi a segunda tentativa de julgar o trio. O primeiro júri começou em 28 de julho e foi dissolvido no dia seguinte, depois que um jurado teve um problema de saúde.
O novo julgamento começou na terça-feira (29), com sessão das 9h às 22h e seis testemunhas ouvidas. Entre elas estavam os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick e o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo. Na quarta (30), das 9h às 18h30, os três réus foram interrogados e o juiz analisou pedidos das defesas. A quinta-feira (1º) foi tomada pelos debates entre acusação e defesa, que começaram às 9h e avançaram pela noite, até a votação dos jurados.
Em plenário, Caçadini negou participação e disse ser usado como “bode expiatório”. Hedilerson também negou envolvimento no crime. A decisão é de primeira instância, e os três podem recorrer.
Atuaram na acusação os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, com o advogado Giovani Santin como assistente.



