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Anvisa aprova mais 2 produtos à base de cannabis no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta quinta-feira (4), a importação de mais dois produtos à base de cannabis medicinal para o Brasil: o promediol e o Zion Medpharma (200mg/ml), ambos extratos da Cannabis sativa.

Com as aprovações, o país agora tem sete produtos aprovados à base de cannabis.

1. O que é a cannabis?
Cannabis é um gênero de plantas originadas na Ásia há milhares de anos e que se popularizou chamar de maconha ou marijuana.

Existem três espécies de plantas do gênero cannabis: sativa, Indica e ruderalis, sendo as duas primeiras as mais populares.

Inicialmente, a cannabis foi utilizada para a produção de fibra de tecidos, mas hoje também é aplicada na medicina e na indústria.

 

2. O que são os canabinoides?
“Canabinoides são substâncias presentes na cannabis que agem em vários lugares no corpo, inclusive no cérebro”, resume o médico e professor do departamento de psiquiatria da Universidade Federal Paulista (Unifesp), Dartiu Xavier da Silveira.

Em outras palavras, os canabinoides são os ativos químicos capazes de desencadear reações no corpo humano. Em relação aos efeitos terapêuticos, eles são os responsáveis por proporcionar sensação de relaxamento e alívio das dores, por exemplo.

Ao todo, já foram identificados cerca de 120 canabinoides na Cannabis Sativa, sendo o canabidiol (CDB) e o tetrahidrocanabidiol (THC) os mais estudados e conhecidos.

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3. O que é canabidiol (CDB) e para que é usado?
O canabidiol (CDB) é a substância presente na Cannabis Sativa responsável pelo efeito relaxante.

Na indústria farmacêutica, ele funciona como analgésico, sedativo e anticonvulsivo no tratamento de doenças como esclerose múltipla, epilepsia, Parkinson, esquizofrenia e dores crônicas.

 

4.O que é THC e para que é usado?
O tetrahidrocanabidiol (THC) é uma substância presente na Cannabis Sativa popularmente associada à capacidade de criar as sensações apontadas como de euforia e de prazer, além de outros efeitos buscados por quem faz o uso recreativo. Contudo, o ativo também possui efeitos terapêuticos e é utilizado como antidepressivo, estimulante de apetite e anticonvulsivo.

5. Apenas o THC tem efeitos psicoativos?
Não. De acordo com Francisco Silveira Guimarães, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (FMUSP-RP), tanto o CDB quanto o THC possuem efeitos psicoativos.

“O cannabidiol tem efeitos psicoativos. Aparentemente, agora, ele ajuda a diminuir a ansiedade e pode ser que, talvez, tenha efeito antidepressivo e antipsicótico. Isso também é efeito psicoativo”, explica Guimarães.
Segundo ele, a principal diferença, entre o ativos citados acima, é que o CDB não possui efeitos psicotomiméticos, ou seja, capazes de criar alucinações. Guimarães se dedica ao estudo da cannabis, particularmente o canabidiol, há mais de 30 anos. Ele, inclusive, ocupa o 1° lugar no ranking dos 10 pesquisadores que mais publicam artigos sobre o canabidiol (CBD) no mundo.

“As pessoas, geralmente, confundem os termos. Quando as pessoas dizem que o CBD não possui efeitos psicoativos, normalmente, elas querem dizer que a substância não possui efeitos psicotomiméticos, ou seja, que são capazes de provocar alucinações”, diz Guimarães.

6. O THC pode ser usado como medicamento mesmo causado efeitos psicotomiméticos?
Sim. Segundo os especialistas, tanto o CDB quanto o THC podem ser utilizados para fins terapêuticos.

“Algumas epilepsias que não respondem aos tratamentos medicamentosos convencionais respondem melhor ao CDB, enquanto que existem outras doenças neurológicas, como a esclerose múltipla, em que o THC vai ser melhor para o tratamento. Vai depender da doença que estamos tratando”, explica Xavier.

Embora as propriedades terapêuticas do CDB sejam mais populares, o THC também pode ser indicado para o tratamento de algumas doenças ou sintomas específicos, como náuseas, vômitos ou falta de apetite em pacientes com câncer ou algum distúrbio alimentar.

“O THC, por exemplo, é bastante usado no tratamento de pacientes que sofrem de falta de apetite, porque ele aumenta essa sensação de fome, o que o pessoal chama de larica”, explica Guimarães.

 

7. Se existem mais de 120 canabinoides na maconha, porque usamos principalmente dois: CBD e THC?
“Infelizmente, nós conhecemos muito pouco sobre os canabinoides por conta das leis proibicionistas, inclusive para pesquisas”, explica Xavier.

Segundo ele, o preconceito quanto ao estudo da cannabis foi e ainda é um grande impeditivo para que as pesquisas avançassem.

“Esse olhar moralista prejudicou o avanço da pesquisa sobre a cannabis e prejudica até hoje. No Brasil, fazer um estudo sobre o THC e conseguir o THC é muito difícil, para não dizer impossível”, diz Guimarães.

8. Existe contraindicação para o uso de medicamentos feitos com cannabis?
Sim. Segundo Xavier, o uso de medicamentos feitos com substâncias ativas da cannabis não é recomendado para indivíduos com problemas de dependência química ou psicose.

“Ainda que a dependência seja algo raro entre os usuários de maconha, não é recomendado o uso de medicamentos feitos com cannabis nessas pessoas. Assim como também não é recomendado em indivíduos com psicose, que podem ter seus sintomas piorados com o uso do remédio”, explica Xavier, que trabalha há mais de 30 anos tratando dependências químicas.

9. É possível se tornar dependente de medicamentos com derivados de cannabis?
Sim. De acordo com Guimarães, caso o medicamento contenha THC ou alguma substância que atue de forma semelhante ao THC, o risco existe.

“Claro que isso [o risco de dependência] depende da dose consumida e do tempo de uso, que nesse caso precisaria ser prolongado”, explica Guimarães.

O especialista explica que a dependência de Cannabis é pequeno se comparada com outras drogas. No caso da cannabis, calcula-se que 4,2% das pessoas que a consomem desenvolvem dependência. Essa cifra se eleva a 24,1% para o consumo de tabaco (cigarro) ou 14,1% para a ingestão de bebidas alcóolicas.

10. Como adquirir medicamentos feitos com cannabis?

No Brasil, desde 2014, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza a importação de alguns medicamentos feitos com Cannabis. Já em 2019, a entidade regulamentou a pesquisa, produção e venda de remédios no país por parte da indústria farmacêutica, embora as plantas ainda precisem ser trazidas do exterior.

De um jeito ou de outro, para adquirir o medicamento é necessário ter prescrição (receita) de profissional legalmente habilitado e arcar com os altos custos dos medicamentos.

Em maio de 2020, chegou às prateleiras o primeiro medicamento fabricado no país derivado da cannabis. Indicado para tratar a epilepsia refratária, o remédio foi desenvolvido por cientistas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (SP) em parceira com uma indústria farmacêutica do Paraná. O valor de uma caixa de 30 ml do medicamento passa dos R$ 2 mil.

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