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Por que o planejamento central energético não tem como dar certo?

 

Antes da Revolução Industrial, a maior fonte de combustível era a madeira, cortada sem dó nem piedade nas florestas do Hemisfério Norte. O aquecimento das casas era feito através da queima de madeira no seu interior, ocasionando doenças ligadas à poluição do ar. Depois disso, fomos para o carvão mineral, cujas densidade e eficiência eram bem maiores e cuja queima foi responsável pela preservação do que ainda restava das florestas.

Em seguida, fomos para o petróleo, outra grande melhoria na densidade e economia de energia, além de poupar da extinção as baleias, que eram mortas, também sem piedade, por causa de seu precioso óleo, que mantinha acesos os lampiões da época. Sem falar na sua contribuição para a limpeza do ambiente altamente insalubre e mal cheiroso dos grandes centros urbanos, com suas ruas cobertas por esterco proveniente dos veículos de transporte por tração animal.

Essas evoluções aconteceram não por causa de quaisquer mandados ou planejamentos dos governos centrais, mas simplesmente porque faziam sentido tanto em termos econômicos quanto tecnológicos.

Como escrevi alhures, se consumimos hidrocarbonetos, é porque eles nos garantem níveis de prosperidade, conforto e mobilidade como nenhum outro combustível. A energia deles obtida melhora nossa saúde, reduz a pobreza, permite uma vida mais longa, segura e melhor. Ademais, o petróleo não nos fornece somente energia, mas também plásticos, fibras sintéticas, asfalto, lubrificantes, tintas e uma infinidade de outros produtos.

“O petróleo talvez seja a mais flexível substância jamais descoberta,” escreveu Robert Bryce em Power Hungry, um livro iconoclástico sobre energia. “O petróleo”, diz ele, “mais do que qualquer outra substância, ajudou a encurtar distâncias. Graças à sua alta densidade energética, ele é o combustível quase perfeito para a utilização em todos os tipos de veículos, de barcos a aviões, de carros a motocicletas. Não importa se medido por peso ou volume, o petróleo refinado produz mais energia do que praticamente qualquer outra substância comumente disponível na natureza. Essa energia é, além de tudo, fácil de manusear, relativamente barata e limpa”. Caso o petróleo não existisse, brinca Bryce, “teríamos que inventá-lo”.

Algum dia, no futuro, haverá fontes de energia tão ou mais abundantes, eficientes, limpas e economicamente viáveis que os hidrocarbonetos. Em termos de rendimento econômico e ambiental, essas novas fontes deverão produzir o máximo de energia, em escala sustentável e, principalmente, no menor espaço possível, já que uma das maiores carências da humanidade é a terra utilizável. Quanto mais terras nós ocupamos para produzir energia, menos espaço teremos para as florestas, a agricultura e a pecuária. Porém, esta revolução energética parece ainda distante. O fato é que as ditas “energias verdes” – solar, eólica e biocombustíveis -, além de estarem bem longe de uma escala sustentável, precisam de grandes espaços para que sejam minimamente viáveis.

Se o mercado não sofresse tantas interferências dos governos, talvez a matriz energética do mundo já fosse dominada pela energia nuclear. Como afirmou Doug Casey em artigo recente, “a energia nuclear é, sem dúvida, o tipo mais seguro, mais barato e mais limpo de geração de energia em massa.” Se não houvesse tantos regulamentos a impedir o uso desta energia, “talvez já estivéssemos usando pequenos reatores de tório de quinta geração, gerando energia quase barata demais para medir. O mundo já estaria funcionando com eletricidade verde verdadeiramente limpa.”

“Em vez disso”, ele prossegue, “o tempo, o capital e a capacidade intelectual foram massivamente desviados para as chamadas fontes de energia “ecológicas” – principalmente eólica e solar – estritamente por razões ideológicas.

Não há dúvida de que a energia solar e a eólica valem a pena e são eficazes para determinadas aplicações – geralmente locais pequenos, isolados e especiais onde o combustível convencional é inconveniente ou muito caro. A eficiência da energia solar foi tremendamente melhorada nas últimas décadas, assim como a eficiência do vento, mas nenhuma das duas faz sentido para a potência de carga básica em massa nas economias industriais.

Por que algumas centenas de burocratas e ideólogos, patrocinados por governos ao redor do mundo, devem decidir que tipo de energia deve ou não ser usada? Essa é uma pergunta que ninguém faz. As pessoas simplesmente presumem que é assim que deve ser e, em grande parte, fazem o que lhes é dito. Este planejamento central energético retira totalmente a eficiência dos mercados e atrasa as soluções mais eficientes e baratas.

Para piorar as coisas, antes de perfurar um poço de petróleo em qualquer lugar do mundo, é necessário pedir permissões diversas a uma ou mais entidades governamentais. No mundo ocidental, onde o público foi capturado pelas noções de PC e ESG, os governos relutam em emitir licenças de perfuração. Os perfuradores não querem mais perfurar, porque os custos são artificialmente altos e quaisquer lucros estarão sujeitos a impostos desencorajadores.

Ao longo dos anos 50, 60, 70 e 80, mais petróleo foi descoberto do que estava sendo usado. As reservas aumentaram, mas não é mais o caso. E não é porque o petróleo não esteja lá; é porque é politicamente incorreto procurá-lo e explorá-lo. Não por acaso, petrolíferas como Shell e BP já falam em abandonar o setor.”

Além disso, as chamadas “tecnologias verdes” não são realmente verdes. Eles parecem verdes na superfície. Moinhos de vento gigantes e fazendas solares dependem de grandes quantidades de terra, combustíveis fósseis e metais para serem fabricados e instalados. Eles têm expectativa de vida limitada e precisam ser descartados depois. Não só não podem fornecer grandes quantidades de energia de forma consistente, mas todos eles mostram perdas econômicas, mesmo que os subsídios os disfarcem. Na verdade, não são sinais de progresso, mas monumentos de desperdício e destruição de valor.

Não é por acaso que a energia está tão escassa e cara no mundo todo. A escassez e a carestia foram minimamente planejadas durante anos, por uma penca de ideólogos, burocratas e políticos. A pandemia e as paralisações forçadas dela decorrentes só abreviaram o que já era inevitável.

“Ah! Mas o que fazer com o aquecimento global?” Precisamos dar liberdade aos mercados para que invistam em tecnologias que aumentem o nosso poder de adaptação e resiliência aos eventuais efeitos desse aquecimento, não abrir mão do bem estar civilizatório adquirido a duras penas durante os últimos dois séculos; mas tal solução retiraria muito poder e dinheiro das mãos de políticos e burocratas…

 

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

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