AGUARDAM NOVA PAUTA
RGA teria sido aprovado se projeto tivesse ido a voto, afirma representante dos servidores
Nickolly Vilela
A presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (Fessp/MT), Carmen Machado, afirmou que, se o projeto do Revisão Geral Anual (RGA) tivesse sido colocado em votação nesta manhã (14), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, os servidores teriam conquistado uma ampla vitória. Segundo ela, a não tramitação da mensagem do Executivo foi uma manobra para ganhar tempo e tentar reverter o cenário favorável à categoria.
“Se a votação fosse hoje, nós teríamos facilmente uma ampla maioria”, declarou.
Carmen explicou que, após conversa com deputados e com o presidente da Assembleia, Max Russi (PSB), os sindicatos decidiram suspender, por ora, atos mais duros, apostando na negociação em torno do envio da mensagem com o índice de 4,26%.
“Achamos prudente confiar na articulação dos parlamentares, porque a base do governo está na Casa Civil negociando o envio da mensagem para só então os deputados apresentarem as emendas que nos favorecem, principalmente nos passivos do RGA.”
Segundo Carmen, o prazo de 24 horas citado por Max Russi foi bem recebido pelos sindicatos, com a expectativa de que o índice ainda possa ser incluído na folha de janeiro. “Estamos contando que esse índice oficial caia ainda na folha de janeiro. Isso é um compromisso que deveria ser do governo.”
Ela criticou duramente o fato de o projeto não ter sido encaminhado, mesmo com a votação previamente marcada. “Todos sabiam que hoje teria essa votação. De forma lamentável, o governo não envia para a Assembleia a mensagem, que diga-se de passagem é obrigação.”
A sindicalista afirmou ainda que o movimento já mapeou apoio suficiente entre os parlamentares e que o recuo do governo pode estar ligado ao risco de derrota. “A gente entende, nas entrelinhas, que essa falta de envio em tempo hábil é para ganhar espaço no parlamento, para que a gente não tenha sucesso. Mas é preciso dizer: nós estamos mobilizando um a um dos deputados.”
Segundo Carmen, o RGA impacta diretamente mais de 105 mil servidores, alcançando também outros Poderes, que acumulam defasagens salariais. “Não se trata só do Executivo. Estamos falando da grande maioria dos servidores públicos do estado, independentemente do Poder.”
Apesar da frustração, Carmen disse que a mobilização continua e não descartou o endurecimento do movimento. “A greve é um instrumento legal e histórico, mas o último recurso. Se não houver diálogo institucional, vamos crescer o movimento, inclusive com a possibilidade de uma greve geral nunca antes vista em Mato Grosso.”



