DOR PROFUNDA
Avó de Bruna pediu justiça no Tribunal do Júri e diz que crime “destruiu toda a família”
Nickolly Vilela
A dor deixada pelo feminicídio de Bruna Oliveira, de 24 anos, ganhou voz no plenário do Tribunal do Júri de Sinop, durante o julgamento que terminou nesta terça-feira (27) com a condenação de Wellington Honorato dos Santos a 19 anos e dois meses de prisão em regime fechado. Em depoimento emocionado, a avó da vítima, Zulmira da Rosa, afirmou que o crime não destruiu apenas a vida de Bruna, mas de toda a família.
“A gente espera por justiça agora, porque a gente não pode fazer nada. Destruiu, destruiu mesmo. Destruiu as três irmãzinhas, teve que separar. Graças a Deus estão tudo bem, mas mesmo assim…”, disse.
Ao falar sobre o sentimento em relação ao réu, que participou da sessão por videoconferência, Zulmira foi direta ao afirmar que nunca teve contato com ele e que a única expectativa da família é a resposta do Judiciário.
“Ele não me conhece, eu não gosto nem de conhecer. Só vi por foto. A única esperança agora é que seja feita a justiça. A justiça, a justiça.”
Ela também lembrou que Bruna era mãe de três crianças e ressaltou o impacto irreversível do crime. “Não é fácil o que ele fez com ela. Ele destruiu uma mãe que tinha três filhos. Ela não era tão ruim assim para ele fazer isso.”
Condenação
Wellington Honorato dos Santos foi condenado pelo Tribunal do Júri de Sinop a 19 anos e 2 meses de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado por motivo fútil e ocultação de cadáver. A pena foi fixada em 17 anos e seis meses pelo homicídio e 1 ano e oito meses pela ocultação, além de 15 dias-multa, a serem cumpridos em regime fechado.
O julgamento foi presidido pelo juiz Walter Tomaz da Costa. Objetos usados no crime, como a motocicleta, uma corrente e a bainha de uma faca, tiveram o perdimento decretado.
Ao final da sessão, o promotor de Justiça Herbert Dias Ferreira afirmou que a decisão representa “uma resposta à altura da gravidade do que foi praticado”. A defesa informou que vai recorrer da condenação quanto à qualificadora do motivo fútil, mantendo a concordância apenas com o crime de ocultação de cadáver.
O crime
Bruna Oliveira foi morta após uma discussão relacionada à venda de um ventilador. Segundo a investigação, após o assassinato, o corpo foi retirado do local, arrastado por correntes presas a uma motocicleta e levado para uma área afastada da cidade, onde foi ocultado em uma vala.



