LANCE DADO
Santa Casa ganhará homecare e central de diagnóstico se proposta do Estado for aprovada
Kamila Araújo e Renato Ferreira
Setenta leitos para homecare e desospitalização, 40 vagas destinadas a cuidados paliativos, uma Central de Diagnóstico para atender toda a rede estadual, hospital-dia para cirurgias de curta permanência e até o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) funcionando no prédio histórico. Essa é a nova configuração anunciada pelo Governo do Estado para a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá.
A reformulação foi apresentada após o governador Mauro Mendes (União) confirmar que o Estado vai apresentar proposta de R$ 25 milhões para adquirir em definitivo o imóvel centenário. A medida encerra meses de impasse judicial e reverte o plano inicial de fechamento da unidade.
Homecare e desospitalização
Um dos principais eixos da nova estrutura será a criação de 70 leitos voltados ao atendimento de homecare e desospitalização. Embora o serviço não esteja formalmente previsto na tabela do SUS, ele vem sendo executado em larga escala por força de decisões judiciais.
Segundo o Executivo, o Estado já desembolsa cerca de R$ 300 milhões para custear pacientes atendidos em domicílio por determinação da Justiça. A proposta é centralizar e racionalizar parte dessa demanda dentro da própria Santa Casa.
Cuidados paliativos e ampliação da oncologia
Também serão implantados 40 leitos de cuidados paliativos, com equipe multidisciplinar especializada no alívio da dor e no acompanhamento de pacientes com doenças crônicas e degenerativas.
A unidade manterá e ampliará os serviços de oncologia e nefrologia, áreas que não conseguiram ser totalmente absorvidas pelo Hospital Central, inaugurado no fim do ano passado. A hemodiálise infantil, considerada estratégica, continuará funcionando na estrutura histórica.
Central de Diagnóstico e hospital-dia
Outra mudança estrutural será a instalação de uma Central de Diagnóstico, concentrando exames de imagem, ultrassonografia, endoscopia e emissão de laudos para todos os hospitais estaduais. A meta é reduzir filas e dar mais agilidade ao atendimento especializado.
A Santa Casa também passará a operar no modelo de hospital-dia, com internações de curta permanência. O paciente será internado pela manhã e receberá alta no mesmo dia. Dentro desse formato, haverá leitos destinados a pequenas cirurgias gerais e uma central de infusão para tratamentos que não exigem hospitalização prolongada.
O prédio ainda deverá sediar o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), atualmente instalado no Hospital Universitário Júlio Müller.
Compra do prédio e disputa judicial
A reconfiguração da Santa Casa ocorre em meio ao processo judicial que envolve a unidade, que acumula mais de R$ 78 milhões em dívidas trabalhistas. A Justiça do Trabalho chegou a determinar o leilão do imóvel.
Duas propostas privadas foram apresentadas: uma do Instituto Evangelístico São Marcos, de R$ 40 milhões, com carência e parcelamento; e outra do Instituto São Lucas, de R$ 20 milhões, sendo R$ 15 milhões à vista. Ambas ainda aguardam análise judicial.
O governo estadual anunciou que apresentará proposta de R$ 25 milhões para aquisição definitiva do imóvel. Segundo o secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo (União), somados aos valores já repassados à instituição, o montante poderá chegar a quase R$ 60 milhões para amortização das dívidas.



