A vereadora Maysa Leão (Republicanos) afirmou na manhã desta quinta-feira (12) que não pode confirmar a existência de um racha na Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá, atualmente composta por mulheres, mas admitiu que há falhas de comunicação e decisões tomadas sem a participação de todos os integrantes. A fala, durante entrevista para Rádio Cultura, foi feita após a sessão que decidiu não instaurar CPI tendo como alvo o ex-secretário de Agricultura de Cuiabá, Willian Leite, que foi denunciado por crime de assédio sexual por uma ex-servidora da Prefeitura de Cuiabá. Sem CPI, a Câmara aprovou uma comissão especial para apurar.
Questionada se há divisão entre um grupo que defende a investigação e outro que tenta impedir o avanço de apurações, a parlamentar destacou que foi surpreendida com a criação de uma comissão especial apresentada no mesmo dia em que se discutia a possibilidade de abertura de uma CPI.
“Existe na Mesa Diretora, hoje, uma falta de comunicação que eu não posso dizer que é proposital. Parte da Mesa decidiu, não sei como, que o dispositivo mais adequado seria uma comissão especial. Essa comissão foi apresentada no mesmo dia em que discutíamos a CPI e o projeto de resolução que permitiria a abertura de uma sexta CPI para fiscalizar o vereador William Campos dentro do dispositivo adequado”, declarou.
Segundo Maysa, a proposta da comissão especial não passou por debate prévio com todos os membros. “Essa comissão foi uma surpresa para mim. Eu não tenho a menor ideia do que está escrito na composição desse documento. Eu não fui convidada para debater, assim como não fui convidada para assinar nenhuma das quatro CPIs que surgiram na segunda-feira”, afirmou.
Apesar das críticas, a vereadora evitou classificar o cenário como rompimento interno. “Eu não posso dizer que há um racha. Eu converso com a presidente Paula [Calil], com toda cortesia. Tivemos um desentendimento no passado, que foi resolvido, e temos boa convivência. Mas suponho que existam reuniões para as quais eu não sou convidada”, pontuou.
Maysa também questionou a forma como poderá ser definida a composição da comissão especial. Vice-líder do Republicanos, ela argumenta que, na ausência do líder Eduardo Magalhães, cabe a ela indicar representantes da bancada, uma das maiores da Casa.
“O Republicanos tem direito de compor. Eu quero compor. O vereador Daniel Monteiro se colocou à disposição. Mas será que isso vai acontecer em um momento em que eu também não vou ficar sabendo? Vamos ter que esperar para ver”, concluiu.



