FORTE DEPOIMENTO
“Ele me mantinha sob a mira de uma arma”, diz personal trainer sobre policial solto
Nickolly Vilela
A personal trainer Débora Sander usou as redes sociais, na noite de quinta-feira (12), para se manifestar publicamente sobre o processo judicial que move contra o policial civil Sanderson Ferreira de Castro Souza e contestar informações que, segundo ela, foram distorcidas pela defesa do réu. Condenado a 15 anos de prisão por violência doméstica em primeira instância, Sanderson teve a liberdade concedida na quarta-feira (11), por decisão da Justiça.
Durante a transmissão, Débora relatou que viveu sob constantes ameaças e que chegou a ser mantida sob a mira de uma arma. Ela afirma ter sido dopada e forçada a manter relações sexuais contra a própria vontade, situação que classifica como estupro dentro do relacionamento.
A personal trainer também acusou os advogados do policial de utilizarem trechos isolados de seu depoimento para sustentar a tese de contradição e influenciar magistrados na revogação da prisão. Além disso, cobrou uma atuação mais rápida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), alegando ter recebido informações de que o acusado pretende deixar o país.
Outro ponto destacado por Débora envolve a perícia dos celulares. Segundo ela, no dia em que registrou a denúncia entregou seu próprio aparelho às autoridades, enquanto Sanderson teria apresentado um telefone diferente do que utilizava à época. Conforme o relato, ele usava um iPhone 15, mas entregou um aparelho da marca Xiaomi. “Ele usava iPhone e apareceu com outro celular. As provas estavam no que não foi entregue”, afirmou.
Ainda de acordo com a personal trainer, uma irmã do policial teria anunciado a venda de um iPhone 15 nas redes sociais na mesma semana em que o aparelho deveria ter sido apresentado à perícia.
Débora também revelou que, além das agressões físicas, era submetida de forma recorrente a práticas sexuais forçadas, incluindo o uso de objetos e a participação de terceiros, sempre sob intimidação. As ameaças, segundo ela, atingiam inclusive seu filho. “Ele dizia que ia nos matar e mostrava a arma, chegava a atirar para o alto”, relatou.
Por fim, a personal trainer explicou que só agora decidiu tornar públicos esses detalhes mais graves porque, no início do processo, foi orientada a não aprofundar os relatos de violência sexual. Segundo ela, as provas de agressão física já eram suficientes para sustentar a denúncia, e a exposição adicional poderia ser evitada naquele momento. “Disseram que não era necessário eu entrar nesse nível de detalhe”, concluiu.
O CASO
No dia 1º de agosto de 2025, a Polícia Civil cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra Sanderson Souza, em operação que investigou crimes no âmbito da violência doméstica contra a então namorada, Débora Sander.
Dias antes, em 19 de julho, a vítima denunciou através das suas redes sociais que teria sofrido uma série de agressões por parte do ex-companheiro. O caso gerou repercussão e ela ganhou o apoio de diversas autoridades, inclusive da primeira-dama do Estado, Virgínia Mendes.
Ela relatou que estava se relacionando com o investigador há dois anos e que o relacionamento sempre foi marcado por violência psicológica e financeira, mas a situação piorou quando começou a ser agredida fisicamente, no dia 3 de agosto.
“Não vou ficar com um homem armado, ameaçando meu filho e a mim. Ele fala que meu filho vai chorar e vai sofrer muito ainda. Por isso, saí para me proteger, mas ainda estou com várias lesões no corpo”, relatou.
Débora disse ainda que, quando tentou denunciá-lo pela primeira vez, o ex teria dito que “polícia ajuda polícia” e que a denúncia dela não o afetaria.
Ela afirmou que se sentiu coagida pelos outros policiais que tentavam convencê-la de não realizar a denúncia e voltar para casa “para acobertar o acontecimento”.



