AMPLIAÇÃO EM ANDAMENTO
“Não vou tirar dinheiro de escola para fazer presídio”, diz Mendes sobre superlotação
Da redação - Kamila Arruda / Da reportagem local - Renato Ferreira
Diante do colapso no sistema prisional de Mato Grosso, com unidades operando acima da capacidade e déficit de vagas, o governador Mauro Mendes (União) reconheceu o problema, mas afirmou que o Estado não pode priorizar investimentos em presídios em detrimento de áreas essenciais como saúde e educação. Em tom firme, ele atribuiu a superlotação ao aumento da criminalidade e à maior eficiência das forças de segurança.
“O problema é que os bandidos continuam praticando muito crime e a polícia aumentou sua eficiência, está prendendo muita gente”, afirmou o gestor estadual nesta quarta-feira (18).
Segundo Mendes, o Estado ampliou significativamente a estrutura desde 2019, mas o crescimento da população carcerária ocorreu em ritmo ainda mais acelerado. “Quando nós chegamos, tínhamos pouco mais de 6 mil vagas e mais de 11 mil presos. Hoje já temos mais de 12 mil vagas, mas o número de detentos subiu para cerca de 16 mil”, explicou.
Apesar da pressão por novas vagas, especialmente diante da situação crítica em algumas unidades e da utilização de delegacias para abrigar presos, incluindo mulheres, o governador foi categórico ao afirmar que há limites para os investimentos.
“Eu não posso pegar todo o dinheiro do cidadão, tirar dinheiro da escola para colocar em presídio. Não posso tirar dinheiro de hospitais para colocar em presídio”, enfatizouu.
Por outro lado, ele que o Estado continuará ampliando o sistema prisional, dentro das possibilidades financeiras e do planejamento em execução. “Vai ter novas construções, já estão tendo novas construções e eu acredito que vai continuar tendo novas construções”, disse.
Ele destacou que há obras em andamento, inaugurações previstas e novos projetos sendo executados para tentar reduzir o déficit de vagas. “Já existe uma programação de construções em andamento. Tem inaugurações para ser feitas, tem obra iniciando, está dentro de um cronograma”, pontuou.
O governador também defendeu a atuação das forças de segurança e do Judiciário no enfrentamento da criminalidade, afirmando que o aumento de prisões é resultado direto dessa atuação.
“O papel da polícia é prender, o do Judiciário é julgar. Quando o cara comete crime, tem que prender e o Estado precisa criar condições”, afirmou.
Sistema sob pressão
O posicionamento ocorre em meio a um cenário de forte pressão sobre o sistema prisional. Mato Grosso enfrenta uma explosão carcerária nos últimos anos, com crescimento acelerado da população presa, déficit de vagas e unidades operando acima da capacidade, algumas em nível crítico.
Hoje, o Estado dispõe de cerca de 12.947 vagas para aproximadamente 16 mil presos, resultando em uma taxa média de ocupação de 126%. Embora inferior à média nacional (150,3%), o número mascara uma realidade muito mais grave: a superlotação está concentrada em unidades específicas, onde o sistema já opera em nível crítico.
Levantamento feio pelo poder Judiciário revela presídios em colapso operacional, com índices alarmantes de ocupação:
• Barra do Garças: 167% acima da capacidade
• Primavera do Leste: 118% acima
• Colniza: 84% acima
• Pontes e Lacerda: 77% acima
• Paranatinga: 68% acima
• Campo Novo dos Parecis: 65% acima
• Jaciara: 63% acima
• Peixoto de Azevedo: 51% acima



