ATAQUES MISÓGINOS
Delegada pede prisão de presidente de sindicato por perseguição e ameaças à sindicalista em MT
Nickolly Vilela
A delegada da Polícia Civil Juda Maali pediu a prisão preventiva de Antônio Wagner, presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig) investigado por perseguir, ameaçar e difamar a líder sindical Carmen Silvia Campos Machado, em Cuiabá. Segundo a representação, o caso envolve uma sequência de ataques públicos e mensagens intimidatórias divulgadas em redes sociais e grupos de WhatsApp.
O pedido foi encaminhado ao Poder Judiciário e ainda aguarda decisão. No documento, a delegada aponta que a conduta do investigado não é isolada, mas parte de uma perseguição contínua com o objetivo de constranger e enfraquecer a atuação da dirigente, que preside uma federação sindical.
De acordo com a investigação, os ataques se intensificaram ao longo de 2025 e passaram a ocorrer em ambientes digitais com grande alcance, ampliando o dano à imagem da vítima. As mensagens atribuídas ao investigado incluem ofensas diretas, questionamentos à legitimidade da dirigente e conteúdo com tom intimidatório, além de menções à possibilidade de exposição pública.
A Polícia Civil sustenta que o uso de redes sociais como meio de ataque configura um mecanismo de pressão contínua, com efeito ampliado pela circulação em grupos amplamente frequentados.
A vítima relatou abalo emocional, com crises de ansiedade, insônia e necessidade de medicação. A delegada aponta indícios de violência psicológica no contexto de gênero, destacando que os ataques têm viés misógino e estão relacionados à posição de liderança ocupada por Carmen Machado.
Ainda conforme a representação, há risco de reiteração das condutas, o que fundamenta o pedido de prisão preventiva para interromper a sequência de ataques, preservar a integridade psicológica da vítima e garantir a ordem pública.
Também foi solicitado mandado de busca e apreensão na residência do investigado, em Cuiabá.
Em nota, A defesa do sindicalista Antônio Wagner de Oliveira se manifestou sobre as acusações e negou irregularidades, afirmando que ele ainda não teve acesso ao processo e não foi ouvido no inquérito. Veja a íntegra:
A defesa de Antônio Wagner de Oliveira esclarece que não teve acesso ao processo sigiloso e que ele não foi ouvido no inquérito. O processo deve ser considerado pela imprensa como mais um dos atos de perseguição que ocorrem contra Antônio Wagner por ter denunciado o escândalo dos consignados.
Na discussão citada pela suposta vítima, não houve qualquer ataque, foi um debate que ocorreu como sempre ocorre dentro do movimento sindical. A discussão origina-se em críticas, feitas por Antônio Wagner, contra a presidente da Federação por ter contratado advogado que representou uma das empresas envolvidas no escândalo dos consignados.
Além disso, Wagner também criticou a falta de transparência na utilização dos recursos da FESSP, razão pela qual foi expulso, sem defesa prévia e sem previsão no estatuto, da diretoria da entidade. É lamentável que um debate tão importante, como a violência contra a mulher, seja utilizado para caluniar, difamar e atacar aqueles que denunciam irregularidades.
Esperamos que a Justiça cumpra o seu papel e mostre a inocência do sindicalista, cujo trabalho resultou na investigação de dezenas de empresas e levou a suspensão dos descontos irregulares, aliviando o bolso de milhares de servidores públicos.



