"TINHA COMO MEU FILHO"
Em júri, réu nega matar bebê de um mês, chora em plenário e culpa a ex-companheira
Muvuca Popular
Durante interrogatório no Tribunal do Júri, o réu Francinaldo José da Silva negou ter matado o bebê de um mês e nove dias e, em diversos momentos, atribuiu à companheira, Talita Canavarros Soares, a possibilidade de ter causado a morte da criança. A criança morreu em 2 de janeiro de 2021, na cidade de Nova Olímpia.
Ao ser questionado diretamente se teria jogado o bebê no chão, o réu chorou e negou. “Jamais. Eu não joguei o bebê no chão. Jamais faria isso. Tenho dois filhos para cuidar”, afirmou ao Conselho de Sentença.
Durante o interrogatório, ele disse que tinha certeza de que o bebê era seu filho e que pretendia registrá-lo. Segundo ele, embora a criança já tivesse sido registrada, não estava em seu nome, mas ele a considerava como filho. “Nunca judiei de nenhum filho meu. Eu o tinha como meu filho. Tinha muito carinho por ele”, declarou.
Em outro momento, ao ser questionado sobre a possibilidade de Talita ter causado as lesões na criança, afirmou que não sabe exatamente o que aconteceu, mas levantou essa hipótese. “Não sei dizer, rapaz, se ela arremessou a criança no chão”, disse.
O réu também fez declarações sobre o relacionamento do casal. Ele afirmou que Talita “gostava de mulher” e que já teria pedido para que uma mulher morasse com eles. Apesar das acusações, ele disse que Talita não era uma pessoa violenta, com exceção de um episódio após ela sair da prisão, quando, segundo ele, ela teria tentado esfaqueá-lo.
Francinaldo também afirmou que ingeriram bebida alcoólica no dia 1º de janeiro de 2021 e que, naquela noite, o bebê teria caído por volta das 23h, quando foram dormir. Segundo ele, após a queda, a criança chorou e Talita amamentou o bebê, e depois todos dormiram. Ele disse que não procurou atendimento médico porque não imaginou que a queda pudesse ter sido grave. “Eu sei que tenho culpa. Eu deveria ter chamado o Samu, mas não passou pela minha cabeça”, afirmou.
Segundo a versão apresentada por ele, na manhã do dia 2 de janeiro ele acordou primeiro e estranhou o fato de o bebê não estar chorando. Disse que acordou Talita e, ao perceberem que a criança não reagia, ela enviou mensagem para a irmã. Ele relatou que só viu sangue quando a irmã de Talita chegou, pegou o bebê no colo e, ao virar a criança, teria saído sangue pelo nariz e pela boca.
Durante o interrogatório, ele afirmou ainda que, se vier a ser condenado, será por algo que não fez. “Se eu for pagar, vou pagar por uma coisa que eu não fiz”, declarou.


