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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

8 em cada 10 feminicídios em Mato Grosso deixaram órfãos, aponta relatório

Thalyta Amaral

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Um levantamento da Câmara Setorial Temática (CST) sobre Feminicídio da Assembleia Legislativa (AL) revelou um retrato alarmante da violência contra a mulher no estado. Entre 2022 e 2025, das 195 mulheres vítimas de feminicídio em Mato Grosso, 161 eram mães, o que representa 82,5% do total. O documento foi entregue ao presidente da AL, Max Russi (PSB), na manhã desta quarta-feira (6).

O relatório aponta ainda que, em 23 casos, os filhos presenciaram o assassinato da própria mãe, situação classificada pelo documento como uma forma extrema de violência psicológica e intergeracional. Segundo a CST, o Estado não possui respostas estruturadas suficientes para acompanhar e proteger essas crianças após os crimes.

O documento destaca que o feminicídio em Mato Grosso “não representa apenas a supressão de uma vida”, mas produz impactos econômicos, sociais e emocionais em cadeia, atingindo famílias e comunidades inteiras.

Além da violência letal, o relatório concluiu que Mato Grosso enfrenta falhas estruturais na rede de proteção às mulheres. Atualmente, o estado possui apenas oito Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher (DEDMs) para atender uma população de mais de 3,6 milhões de habitantes. Segundo o estudo, a cobertura alcança somente 53% das Regiões Integradas de Segurança Pública (RISPs).

Os dados mostram ainda que 59 municípios, que somam mais de 881 mil habitantes, não têm acesso a delegacias especializadas. Em algumas regiões, mulheres precisam percorrer até 372 quilômetros para conseguir atendimento. O problema é agravado pelo fato de apenas a delegacia de Cuiabá funcionar 24 horas por dia.

O relatório também apontou deficiência na assistência jurídica e psicológica às vítimas. Segundo o levantamento, 67% das prefeituras e 75% das varas que atuam com violência doméstica afirmaram não haver assistência jurídica integral para mulheres vítimas de violência. Entre os defensores públicos entrevistados, 96,4% disseram que as unidades não contam com equipes multidisciplinares, como psicólogos e assistentes sociais.

A CST concluiu que a violência contra a mulher em Mato Grosso é resultado de uma “engrenagem institucional falha, fragmentada e insuficientemente coordenada”. O documento recomenda ampliação das delegacias especializadas, fortalecimento das casas abrigo e criação de parâmetros mínimos de cobertura para atendimento às vítimas em todas as regiões do estado.

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