PRESSÃO
Mauro Carvalho atribui atraso no Portão do Inferno ao Ibama e rebate críticas do TCE
Do local Renato Ferreira
O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho, rebateu nesta quinta-feira (21) as críticas feitas pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, sobre a demora nas obras do Portão do Inferno, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
A declaração ocorre em meio ao aumento da pressão política e institucional em torno da principal obra de mobilidade e turismo da região metropolitana. Durante visita ao local nesta quinta-feira, Sérgio Ricardo afirmou nunca ter visto uma obra “tão enrolada” e atribuiu a paralisação a “desinteresse” e “inoperância” do poder público, cobrando uma resposta imediata da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT).
Em resposta, Mauro Carvalho afirmou que o entrave não está na esfera estadual, mas na demora para obtenção do licenciamento ambiental junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“A paralisação da obra de Chapada dos Guimarães não é um problema do Governo do Estado, é um problema de licenciamento ambiental que depende do Ibama”, declarou.
Segundo o secretário, o governo estadual mantém tratativas constantes em Brasília na tentativa de destravar o projeto, considerado estratégico pela atual gestão. Mauro revelou que o processo ambiental está parado há cerca de dois anos.
“O governador Otaviano Pivetta fala a todo momento dessa duplicação entre Cuiabá e Chapada, que é um sonho dele entregar essa obra para todo o povo de Mato Grosso. Mas nós temos um problema ambiental e o Ibama travou essa licença há dois anos”, afirmou.
A obra do Portão do Inferno se tornou um dos principais gargalos da infraestrutura estadual após sucessivos deslizamentos e interdições no trecho da MT-251, rota fundamental para o turismo em Chapada dos Guimarães. O governo estadual chegou a anunciar a construção de um túnel como solução definitiva para o problema geológico da região.
No entanto, a licitação aberta pela Sinfra-MT acabou fracassando após o único consórcio participante ser inabilitado por não atender aos requisitos de qualificação econômico-financeira previstos no edital. A decisão foi mantida pela Comissão de Licitação e acompanhada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Questionado sobre a possibilidade de priorizar a MT-030 como alternativa mais rápida diante da demora no licenciamento ambiental, Mauro Carvalho descartou mudanças no planejamento e afirmou que grande parte da duplicação da MT-251 já está executada.
“Nós já temos uma parte dessa rodovia duplicada. O que está faltando para duplicar até Chapada é muito pouco”, disse.
O secretário reconheceu, porém, que a construção do túnel exigirá uma engenharia complexa e poderá demandar mais tempo para execução.
“A obra realmente mais complexa é o túnel, que precisa ser muito bem executado”, completou.


