ANÁLISE
Pivetta diz que RS “parou no tempo” e culpa sucessão de governos por crise estrutural
Muvuca Popular
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, afirmou que o Rio Grande do Sul perdeu capacidade de crescimento ao longo das últimas décadas e atribuiu o cenário a uma sequência de gestões estaduais que, segundo ele, adotaram caminhos econômicos equivocados. Gaúcho de origem, Pivetta disse que faz a análise “com tristeza” e não como crítica política pontual.
Segundo ele, o estado “parou no tempo” e deixou de acompanhar o ritmo de crescimento observado em outras regiões do país.
Pivetta destacou que o problema não é recente, mas resultado de decisões acumuladas desde o período da redemocratização. “Desde a Nova República, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, o Rio Grande do Sul tomou caminhos que não deram certo”, afirmou.
O governador comparou o desempenho gaúcho com o de Santa Catarina, apontando que o estado vizinho, mesmo com menos recursos naturais, apresenta indicadores superiores de qualidade de vida, desenvolvimento humano e ambiente para pequenos empreendedores. “Santa Catarina dá exemplo em tudo: IDH, capacidade de empreender e qualidade de vida”, disse.
Na avaliação de Pivetta, o Rio Grande do Sul enfrenta um desequilíbrio estrutural nas contas públicas, onde a maior parte da arrecadação é consumida por despesas fixas. “Tudo que se paga de imposto vira custeio. O estado não consegue sustentar essa estrutura”, pontuou.
Ele também citou a dependência recorrente do governo federal para renegociação de dívidas como um dos sintomas da crise fiscal. “O Rio Grande está todo ano pedindo bênção para prorrogar dívida”, afirmou.
Ao contrapor o cenário gaúcho com o de Mato Grosso, o governador destacou que estados considerados mais dinâmicos no país seguem em ritmo acelerado de crescimento. “Há um Brasil que dá certo, que prospera em ritmo chinês, e Mato Grosso faz parte desse grupo”, declarou.
Apesar do tom crítico, Pivetta enfatizou que suas falas têm caráter de diagnóstico, motivado por sua ligação pessoal com o estado de origem. “Falo isso com sentimento, com tristeza. Não é uma crítica, é uma constatação”, concluiu.


