EDUCAÇÃO
Planetário móvel e realidade virtual levam ciência a mais de 2,5 mil alunos em MT
Muvuca Popular
Uma estrutura inflável que simula o céu noturno, telescópios apontados para crateras lunares e óculos de realidade virtual transformaram a rotina de estudantes e moradores de quatro municípios do interior de Mato Grosso nas últimas semanas.
Trata-se do projeto de extensão “O Cerrado Vai Virar Mar! Luas e Águas: a influência lunar e os impactos climáticos no ciclo das águas do Mato Grosso”, desenvolvido por pesquisadores e estudantes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).
Aprovada no início deste ano, a iniciativa itinerante é realizada pelo Centro de Educação e Investigação em Ciências e Matemática (Ceicim), vinculado à Faculdade de Ciências Exatas e Tecnológicas (Facet) do câmpus de Cáceres. O objetivo principal é democratizar o acesso ao conhecimento astronômico e ambiental, investigando de forma didática como as dinâmicas atmosféricas e a ação gravitacional da Lua interagem com o regime de chuvas e os ecossistemas locais, como o Pantanal.
O projeto conta com financiamento externo por meio de um acordo de cooperação entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).
Popularização da ciência
“A metodologia é ativa, participativa e itinerante, articulando a teoria com a prática”, explica o coordenador da ação, o professor do curso de Matemática, Marcos Francisco Borges, doutor em Ensino de Ciências e Matemática. Segundo o docente, as atividades buscam aproximar a produção acadêmica do cotidiano da população, estimulando o pensamento crítico e a preservação dos recursos hídricos.
A programação envolve a comunidade escolar durante o dia em ginásios e salas de aula, estendendo-se para praças públicas no período noturno. Entre as principais atrações estão:
Planetário móvel: sessões mediadas que explicam as fases da Lua, eclipses e as forças gravitacionais.
Observações astronômicas: visualização detalhada de astros por meio de telescópios.
Oficinas e realidade virtual: experimentos imersivos com óculos 3D e modelos físicos que simulam a relação entre a Terra, a Lua e o Sol.
Exposições temáticas: painéis científicos que debatem as bacias hidrográficas locais e os impactos das mudanças climáticas.
Circuito pelo interior
Até o momento, as ações de extensão já atingiram mais de 2,5 mil participantes. A expectativa da coordenação é superar a marca de 3 mil pessoas atendidas até o encerramento das atividades.
O cronograma de visitas da última semana incluiu os municípios de Poconé, Nossa Senhora do Livramento e Santo Antônio do Leverger. Na última quarta-feira (27), alunos da rede pública participaram de oficinas práticas de letramento científico e sessões imersivas com óculos de realidade virtual.
Na quinta-feira (28), a equipe esteve em Barão de Melgaço, concentrando as atividades na Escola Estadual Coronel Antônio Paes de Barros. No local, estudantes acompanharam as exposições e as simulações dos ciclos hidrológicos montadas na quadra poliesportiva da instituição.
Formação acadêmica
Além do impacto social na comunidade externa, o projeto atua na formação de multiplicadores locais e na qualificação profissional dos estudantes de graduação da Unemat. Alunos dos cursos de licenciatura em Matemática e Ciências Biológicas e do bacharelado em Ciência da Computação atuam diretamente como monitores das atividades itinerantes.
“A participação dos discentes possibilita a vivência de práticas pedagógicas que articulam ensino, pesquisa e extensão em espaços não formais de educação”, destaca Borges.
Os municípios interessados em receber as ações itinerantes do projeto podem solicitar a visita diretamente ao Ceicim. As prefeituras ou instituições parceiras devem assegurar o suporte logístico e os custos de deslocamento da estrutura. O contato com a equipe organizadora pode ser feito pelo e-mail: [email protected].


