COMOÇÃO EM MT
Delegada relaciona mortes de adolescente e mulher queimada: “desprezo pela autonomia feminina”
Muvuca Popular
A prisão do homem suspeito de matar Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, levou a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) a estabelecer uma conexão entre dois crimes recentes que chocaram Mato Grosso.
Para a delegada Jéssica Assis, responsável pelas investigações, os casos têm em comum um elemento que vai além da brutalidade: a incapacidade dos agressores de aceitar a autonomia das vítimas.
A declaração foi feita nesta terça-feira (8), durante coletiva sobre a prisão do suspeito de assassinar Josivany, encontrada morta e com o corpo queimado na região central de Cuiabá.
Segundo a investigação, a vítima e o suspeito se conheceram na noite anterior ao crime. Eles teriam combinado um programa sexual em troca de dinheiro e drogas, mas a mulher desistiu antes que o ato acontecesse. Durante o interrogatório, o suspeito admitiu que houve uma discussão após a recusa da vítima.
Para a delegada, o caso evidencia uma violência motivada pela negação do direito de escolha da mulher.
“É mais um caso de completa e total objetificação do corpo da mulher, do descarte da autonomia feminina”, afirmou.
Jéssica Assis também relacionou o episódio à morte da adolescente Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, encontrada sem vida no domingo (7), em Várzea Grande. O principal suspeito é o pai da menina, Claudinei da Silva, de 42 anos, preso em flagrante após se apresentar à Polícia Civil.
Ao comentar os dois casos, a delegada destacou que, embora as circunstâncias sejam distintas, ambos refletem a mesma tentativa de controle sobre a vontade feminina.
“São dois casos que mostram o quanto é difícil ser mulher na sociedade. Um pai que mata uma filha porque ela passa a expressar seus primeiros desejos amorosos. E outro caso que mostra como a rejeição, como o ‘não’ da mulher, não vale nada perante esses agressores”, declarou.
Para a delegada, os dois crimes expõem uma mesma raiz de violência.
“Ela foi punida por se expressar. A outra foi morta porque decidiu que não queria mais. São situações diferentes, mas que revelam o mesmo desprezo pela autonomia feminina”, concluiu.


