Acompanhe nossas noticias

The news is by your side.

MEIO AMBIENTE

Pesquisa aponta risco de degradação em 2,3 milhões de hectares após mudança na legislação

Muvuca Popular

0

Um estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters alerta que mudanças recentes na legislação ambiental de Mato Grosso podem ampliar significativamente o risco de degradação de áreas úmidas localizadas nas bacias dos rios Araguaia, no leste do Estado, e Guaporé, no noroeste. A pesquisa estima que até 2,3 milhões de hectares desses ecossistemas poderão ficar vulneráveis à implantação de sistemas artificiais de drenagem, capazes de alterar de forma permanente o funcionamento natural dessas áreas.

A análise foi divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP) e avalia os possíveis impactos da Resolução nº 30 do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), publicada nesta semana, que regulamenta a implantação e a regularização de obras de drenagem agrícola em Mato Grosso. O artigo foi assinado por sete pesquisadores de diferentes instituições.

Segundo os autores, a drenagem artificial pode comprometer serviços ambientais considerados essenciais, como a regulação do ciclo da água, além de afetar a biodiversidade, os recursos hídricos e atividades econômicas que dependem da disponibilidade de água.

Um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, o professor de Ecologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Dilermando Lima-Junior, explica que as áreas úmidas funcionam como reservatórios naturais. Durante o período chuvoso, acumulam água que infiltra no solo, contribuindo para a recarga dos lençóis freáticos e ajudando a manter a vazão dos rios nos meses de estiagem.

De acordo com o pesquisador, a drenagem interfere diretamente nesse processo ao acelerar o escoamento da água, reduzindo sua capacidade de armazenamento e alterando o regime hidrológico das bacias. Como consequência, rios e nascentes podem apresentar menor vazão durante os períodos mais secos do ano.

Além dos efeitos sobre os recursos hídricos, o estudo aponta impactos sobre a fauna e a flora. A redução de áreas alagadas temporárias, por exemplo, pode comprometer ambientes utilizados para reprodução e desenvolvimento de diversas espécies de peixes e aves.

Os pesquisadores também destacam que os reflexos da medida podem atingir a própria atividade agropecuária. Segundo o estudo, a conservação das áreas úmidas contribui para a manutenção da oferta de água utilizada na dessedentação animal e na agricultura irrigada, especialmente durante períodos de seca.

Além de dimensionar a extensão das áreas potencialmente afetadas, a pesquisa busca subsidiar o debate sobre políticas públicas voltadas à conservação desses ecossistemas. Para os autores, a preservação das áreas úmidas desempenha papel estratégico na manutenção do equilíbrio hídrico e ambiental das bacias do Araguaia e do Guaporé.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

xLuck.bet - Emoção é o nosso jogo!

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumiremos que você está ok com isso, mas você pode cancelar se desejar. Aceitarconsulte Mais informação