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INVESTIGAÇÃO

PM é alvo de busca após denúncia de invasão a fazenda e desaparecimento de celulares em MT

Muvuca Popular

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A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu nesta terça-feira medida judicial no âmbito de uma investigação que apura a denúncia de invasão a uma propriedade rural em Barra do Garças por um policial militar e outro homem, sem autorização dos moradores e sem ordem judicial. O caso resultou no cumprimento de mandado de busca e apreensão autorizado pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias do Polo de Barra do Garças.

De acordo com a Polícia Civil, a apuração começou após registro de boletim de ocorrência e depoimentos de vítimas e testemunhas que relataram que um servidor militar estadual, lotado em unidade especializada do município e que estaria fora de serviço no momento dos fatos, entrou na residência acompanhado de outro indivíduo.

Segundo os relatos colhidos no inquérito, os envolvidos procuravam um aparelho celular que supostamente pertenceria a uma terceira pessoa. Durante a permanência no imóvel, teriam realizado buscas em cômodos da casa e retirado moradores dos quartos onde estavam, inclusive familiares que dormiam no momento da abordagem.

Ainda conforme os depoimentos, uma das pessoas presentes teria passado mal e desmaiado durante o episódio. Também foram relatados o desaparecimento de celulares, documentos ligados a imóvel rural e determinada quantia em dinheiro, além de supostas ameaças posteriores aos moradores.

Na decisão, o juiz Luis Felipe Lara de Souza entendeu que os elementos reunidos até o momento indicam, em tese, a existência dos fatos narrados e justificam a adoção de medidas cautelares para aprofundamento da investigação. O magistrado autorizou buscas em endereços ligados aos investigados Bruno Aguiar Silva e Aleksan Blosfeld Aguiar, além da apreensão de armas, celulares, computadores, documentos e outros materiais considerados relevantes para esclarecer o caso.

Também foi autorizado o acesso, extração, espelhamento e análise pericial de dados armazenados em eventuais dispositivos eletrônicos apreendidos, incluindo mensagens, registros de chamadas, arquivos digitais, fotografias e históricos de comunicação relacionados à investigação.

Por outro lado, a Justiça negou o pedido da Polícia Civil para afastar cautelarmente o policial militar do cargo. O magistrado considerou que, apesar da gravidade das acusações e da suposta utilização da função pública durante os fatos, não há neste momento elementos concretos que indiquem interferência na produção de provas, intimidação de testemunhas ou prejuízo às investigações.

Outro pedido negado foi o de obtenção ampla de dados junto às empresas Google e WhatsApp. O juiz entendeu que a solicitação foi apresentada de forma genérica e sem individualização suficiente das contas e informações pretendidas, deixando aberta a possibilidade de novo requerimento futuramente, caso surjam elementos mais específicos.

A Polícia Civil informou que o principal alvo da medida não foi localizado durante o cumprimento da ordem judicial e que novas diligências já foram adotadas. O inquérito segue em andamento com oitivas, análises técnicas e outras providências para esclarecimento dos fatos.

A investigação tramita sob segredo de Justiça e, até o momento, não há qualquer conclusão sobre responsabilidade penal, administrativa, civil ou disciplinar dos investigados.

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