DISPUTA PELO GARIMPO
Além do CV, milícias ameaçam população de terra indígena no interior de MT
Thalyta Amaral
A presença de grupos criminosos na Terra Indígena Sararé, localizada entre os municípios de Pontes e Lacerda e Conquista D’Oeste, no oeste de Mato Grosso, vai além da atuação do Comando Vermelho (CV). Uma investigação publicada pela InfoAmazonia aponta que milícias também disputam o controle dos garimpos ilegais instalados no território, ampliando a violência e a insegurança enfrentadas pelas comunidades indígenas.
A Terra Indígena Sararé possui cerca de 67 mil hectares e, conforme dados citados na reportagem, aproximadamente 4,2 mil hectares já foram degradados pela mineração ilegal. Imagens de satélite e sobrevoos realizados na região mostram grandes áreas de floresta transformadas em crateras abertas pelo garimpo.
Segundo a reportagem, a Terra Indígena Sararé tornou-se um dos principais polos do garimpo ilegal na Amazônia brasileira. O avanço da mineração clandestina atraiu organizações criminosas que passaram a controlar desde a entrada de máquinas pesadas até a segurança armada dos garimpos, utilizando armamentos de alto poder, como fuzis.
A investigação relata que o Comando Vermelho estabeleceu uma estrutura permanente dentro da área indígena e disputa espaço com garimpeiros independentes e grupos milicianos, que também atuam na exploração ilegal de ouro. A presença desses grupos ocorre inclusive nas proximidades de estruturas públicas, como escola, posto de saúde e base da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
De acordo com a InfoAmazonia, o domínio sobre o garimpo envolve uma cadeia criminosa que inclui financiamento de equipamentos, cobrança de taxas dos garimpeiros, transporte de insumos e proteção armada das áreas de exploração. A disputa pelo controle da atividade ilegal tem elevado o risco para indígenas, servidores públicos e agentes responsáveis pela fiscalização.
Em entrevista ao Infoamazonia, o delegado Éder Rocha, da Polícia Federal, contou que primeiro chegou o CV e depois vieram as milícias, entre elas uma que possui um capitão da PM do Pará como líder. Esses grupos formados por militares enfrentaram a facção e conquistaram seu espaço nos garimpos da região.
Outras quadrilhas também se inseriram na região, como a “Boi na Brasa”, “um grupo familiar de Itaituba (PA) que atuava no ramo das churrascarias antes de se dedicar à mineração ilegal de ouro, considerada pelos fiscais do Ibama a mais especializada em garimpos na Amazônia. Espalhados pela região amazônica brasileira, no Pará e em Mato Grosso, os garimpeiros do grupo são mais eficientes do que qualquer outra facção, capazes de extrair mais ouro em menos tempo, conta um servidor do órgão”, diz trecho da reportagem.


