PRESSÃO
Jayme cobra cumprimento de contrato e diz que Rumo pode perder concessão se ferrovia não chegar a Cuiabá
Patrícia Neves
O senador Jayme Campos (União Brasil) afirmou que a concessionária responsável pela primeira ferrovia estadual de Mato Grosso terá de cumprir integralmente o contrato firmado com o Governo do Estado, incluindo a construção dos trechos previstos até Cuiabá e Lucas do Rio Verde. Segundo ele, o descumprimento das obrigações pode resultar até mesmo na perda da concessão.
A declaração foi dada após rumores de bastidores indicarem que a empresa Rumo poderia rever parte do projeto originalmente anunciado. Questionado sobre a possibilidade de a ferrovia não chegar aos destinos previstos, Jayme foi enfático ao afirmar que o contrato estabelece claramente as obrigações da concessionária.
“Existe um contrato que determina que essa ferrovia chegue a Lucas do Rio Verde e também tenha um ramal até Cuiabá. Isso terá de ser cumprido literalmente, porque a concessão foi feita pelo Governo de Mato Grosso”, declarou.
O senador relembrou que participou das articulações em Brasília para viabilizar o empreendimento, incluindo negociações junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a renovação da concessão ferroviária que possibilitou a implantação do projeto em território mato-grossense.
De acordo com Jayme, a autorização para que Mato Grosso conduzisse o processo de concessão ocorreu após adequações legais e aprovação de uma proposta que permitiu ao Estado assumir a condução do projeto. Posteriormente, foi realizado o chamamento público que resultou na escolha da Rumo como responsável pela obra.
“Independentemente de qualquer situação econômica da empresa, ela terá que cumprir o que foi pactuado. Caso contrário, poderá perder a concessão por descumprimento contratual”, afirmou.
As declarações ocorrem poucos dias após a inauguração do primeiro trecho da ferrovia estadual, realizada em Dom Aquino. A obra é considerada a maior ferrovia atualmente em construção no país e prevê 740 quilômetros de extensão, ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com passagem por 16 municípios e um ramal destinado à capital mato-grossense.
Jayme também minimizou especulações sobre possíveis desconfortos políticos durante a cerimônia de inauguração. Segundo ele, o protocolo do evento foi organizado pelo cerimonial da Presidência da República em razão da presença do vice-presidente da República, e não houve qualquer constrangimento relacionado à escolha dos oradores.
“Não me senti ofendido em nenhum momento. O cerimonial seguiu o rito estabelecido pela Presidência, e isso é absolutamente normal”, concluiu.


