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Seu filho realmente faz as próprias escolhas ou apenas aprende a concordar com as escolhas que você faz por ele?

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No final de semana, aconteceu algo muito interessante que quero compartilhar com vocês. É até possível que revisitem algum episódio da sua história.

No último sábado, meu filho precisou fazer uma escolha que pode parecer boba, mas que me fez pensar numa dificuldade para muitos pais: resistir à tentação de fazer escolhas pelos nossos filhos.

Ele tinha uma festa de 15 anos para ir. Estava empolgado, preocupado com roupa, sapato… Adolescente esportista só tem roupa de treino, meião e uniforme escolar no armário, né?

A festa trouxe uma demanda que ele desconhecia. Salvo alguns itens básicos de sobrevivência, ele não tinha vestimentas adequadas para a ocasião.

Convocou o pai para ajudar, comprou roupas, fez um corte de cabelo, escolheu sapatos… Estava tudo certo para a festa.

Contudo, na véspera, ele passou por uma peneira de futebol, onde soube que haveria outra no domingo de manhã, poucas horas depois do encerramento do tal aniversário.

Foi aí que a seguinte conversa aconteceu:

“Ô, mãe, meu amigo está perguntando se a gente pode dar uma carona para ele ir à festa.”

“Podemos.”

“Ah, então a senhora me busca à meia-noite?”

“Não. A festa está marcada para começar às vinte e duas horas, e você quer vir embora à meia-noite? Por quê?”

“Porque eu quero fazer a peneira amanhã.”

O pensamento dele era: ir à festa, ficar um pouquinho, marcar presença, chegar em casa *a uma hora da manhã*, dormir e acordar disposto para participar da peneira às oito.

Perfeito, mas uma ilusão.

“Não, né? Meu filho, vamos lá. Você vai precisar fazer uma escolha.”

Aproveitando que a Copa do Mundo é uma realidade atual e que ele adora futebol, usei um ídolo para ajudá-lo na construção de uma escolha consciente e verdadeiramente dele.

“Vamos olhar para uma carreira brilhante e consolidada, como a do Cristiano Ronaldo. Quantas festas legais, com comida boa, bebida de primeira qualidade, gente bonita e em lugares espetaculares esse cara deixou de ir para priorizar qualidade de sono, descanso e alimentação? Tudo porque ele tinha um objetivo. E o corpo, a ferramenta de trabalho dele.”

Ele ficou pensativo, elaborando o que ouvia…

“É o seguinte: daqui até o final do ano, você tem mais seis festas de 15 anos para ir. Mais seis, fora as que ainda vão aparecer. E você tem uma peneira amanhã. Você vai ter que escolher. Ou você vai à festa e vai curtir sem se preocupar com a peneira, ou vai deitar cedo e descansar para dar o seu melhor amanhã de manhã.”

“Ai, mãe, eu odeio ter que escolher.”

“Todo mundo odeia ter que escolher, Miguel, porque escolher é perder algo sempre.”

“Você pode escolher ir à festa, chegar lá e se arrepender? Pode. Pode escolher a peneira e jogar mal? Pode. São coisas que podem acontecer, mas você precisa escolher.”

Fez-se um silêncio…

“Seja lá o que você escolher, eu te apoio. Você vai à festa para curtir o evento? Eu te apoio. Você vai para a peneira? Ok, eu te apoio e te levo amanhã de manhã. Mas você precisa decidir o que é mais importante para você.”

Foi quando ele pegou o celular para avisar ao amigo que não seria possível dar a carona, pois ele tinha um compromisso na manhã seguinte.

Eu fiquei muito feliz em poder ajudar, pois, naquele momento, as duas coisas eram importantes, mas o compromisso com o sonho falou mais alto.

Ele abriu mão de uma satisfação momentânea por algo que tem significado real para ele a longo prazo.

Toda escolha carrega uma renúncia. E talvez um dos maiores desafios dos pais seja resistir à tentação de fazer escolhas pelos filhos.

Se me pedissem conselhos para conduzir esses momentos, eu diria:

Primeiro: lembrem-se de que a escolha deve ser deles, mas não abram mão de orientar, de levantar questionamentos, de mostrar os prós e os contras. Isso ajuda a formular uma linha de raciocínio.

Segundo: sempre que possível, usem bons exemplos dados pelos ídolos dos seus filhos. Assegurem-se de que eles tenham bons influenciadores. Sim, eles se inspiram neles.

Enfatizem a forma como os ídolos trabalham, como se movimentam para alcançar seus objetivos, como enfrentam as dificuldades, como se reinventam ao longo da jornada.

Aqui em casa, os ídolos são esportistas, mas nem todo atleta é atleta de fato. Faço sempre um paralelo entre exemplos positivos e negativos. Aproveito o ensejo e, assim, vamos construindo uma conversa boa, leve e com sentido para eles.

Quis dividir este momento com vocês porque nem sempre é fácil perceber quando fazemos as escolhas por nossos filhos ou, ainda, nem sempre é fácil conduzir o momento, a depender da importância e do peso das escolhas.

Encorajar os filhos a tomarem decisões de maneira consciente e independente é uma das melhores lições que os pais podem oferecer.

De acordo com a psicóloga Lizandra Arita, o essencial para desenvolver essa habilidade é ensinar a criança a pensar e a refletir sobre as suas opções antes de decidir.

E complemento: isso vale para adolescentes e até para filhos já adultos que bateram asas e, às vezes, precisam voltar ao ninho.

Na manhã seguinte, eu o levei para a peneira. E sabem o que aconteceu? Ele passou!!!! Agora imaginem a felicidade e a satisfação dele por ter, agora, a absoluta certeza da escolha certa.

Não sei qual será o destino dele no futebol. Talvez essa oportunidade tenha sido decisiva, talvez não. Mas, para mim, o resultado mais importante já havia acontecido antes mesmo de ele entrar em campo.

Naquele momento, meu filho entendeu que sonhos exigem prioridades. Experimentou algo que espero que leve para a vida: a liberdade de decidir, sabendo que não estava sozinho.

Nosso papel é caminhar ao lado, oferecer repertório, fazer boas perguntas, mostrar consequências e, quando a decisão estiver tomada, permanecer ali.

Retirar os obstáculos do caminho e poupá-los das frustrações não ajuda em nada, porque um dia eles tomarão decisões sem a nossa presença.

E, quando esse dia chegar, terão a confiança de que aprenderam a escolher por si mesmos.

*Fontes:* terra.com.br

*Christiane Indaiá*

Graduada em Letras – Português – Inglês – Literatura pela UNIVALE – Universidade Vale do Rio Doce

Professora especialista em Língua Inglesa (24 anos de experiência em cursos livres e ensino fundamental I e II)

Experiência em preparatório para FCE Cambridge Exam

Certificada Cambridge

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